REP. TCHECA

 

- INTRODUCAO
A República Checa ou Tcheca (em checo Česká republika), chamada menos comumente de Chéquia ou Tchéquia é um país da Europa Central, limitado a norte pela Polónia, a leste pela Eslováquia, a sul pela Áustria e a oeste e norte pela Alemanha. A capital do país é Praga. É membro da União Europeia desde 2004.
A República Tcheca tem pouco mais de uma década de existência como nação, mas preserva seu patrimônio de séculos de história. Além de Praga, a região da Boêmia tem castelos medievais e balneários do século 19 que parecem congelados no tempo e ainda produz ótimas cervejas. Quase duas décadas depois da Revolução de Veludo, as mesmas pessoas que participaram das manifestações que derrubaram o comunismo hoje comemoram a entrada do país na União Européia. Quem visita a República Tcheca tem, de uma vez só, uma aula de história medieval, moderna e contemporânea.

 

- HISTORIA
Primeiras colonizações
Os Países Checos, aos que pertencem a Boêmia, Morávia e Silésia, são habitados desde os tempos ancestrais. As provas mais antigas datam da Idade da Pedra, aproximadamente de 28.000 anos a.C. Os celtas chegaram a esta terra no século III antes da nossa era. Tratava-se concretamente da tribo dos boios (do latim Boii), de onde supõe-se que provêm o nome da Boêmia (do latim Boiohemum). No princípio do século I a.C. chegaram as primeiras tribos germânicas, os marcomanos, e recentes achados arqueológicos mostram que as legiões romanas adentraram-se até as proximidades da atual cidade de Olomouc, no centro de Morávia.
Os eslavos (checos na Boêmia e Morávios na Morávia) chegaram no século VI d.C. e alí permaneceram pacificamente, organizados em vilas circulares (okroulice) e desenvolveram uma economia baseada na agricultura. No início do século VII, o povo germano dos ávaros invadiram a zona e submeteram às pacíficas tribos eslavas, formando um império entre o Rio Elba e Dniéper.
No século VII produziu-se a primeira tentativa de criar um estado mediante a unificação das distintas tribos eslavas, como meio de proteger-se contra dos ataques dos ávaros, dando nascimento ao reinado de Samo, no ano 625. Este estado durou até o ano 658, quando os ávaros foram, finalmente, expulsos da região.
Grande Morávia (em checo Velká Morava, em latim Magna Moravia) era um antigo império eslavo na Europa central entre 833 e princípios do século X. Seu territorio básico encontrava-se em ambos lados do Rio Morava, nas atuais Eslováquia, República Checa e Áustria.
O império foi fundado quando o príncipe Mojmír I unificou pela força o vizinho Principado de Nitra com seu próprio Principado da Morávia em 833. Durante o reinado do príncipe Rastislau em 863, o desenvolvimento cultural sem precedentes resultou da missão dos Santos Cirilo e Metodio (enviados pelo imperador de Bizâncio que divulgaram a adoção do alfabeto cirílico e da litúrgia de ritos da Igreja Ortodoxa). Com a morte de Cirilo e Metódio, em 885, o Império caiu sob a influência da Igreja Católica de Roma. O império da Grande Morávia chegou a sua extensão territorial máxima sob o reinado de Svatopluk I (871-894). Debilitada pelas lutas internas e as freqüêntes guerras com o Império Franco, foi invadida pelos magiares no início do século X e seus habitantes foram mais tarde divididos entre o Reino da Hungria, Boêmia, Polônia, e Sacro Império Romano Germânico.

Reino de Boêmia
Os boios era a principal tribo que habitava aquela zona por volta do século V a.C, e a eles se deve o nome da Boêmia. Os boios foram expulsos pela tribo germânica dos marcomanos até o século I d.C. Entre os séculos V e VIII, a Boêmia foi ocupada pelos eslavos e, mais tarde, pelos ávaros. Mas tarde cairam sob o domínio de Carlos Magno. Com a decadência do império de Carlos Magno, começa-se na região um período de independência, com os povos desta região sendo chamados de checos. No século X, o Reino da Boêmia consolida-se sob a Dinastia dos Premislides com capital em Praga.

As terras tchecas emergiram nos fins do século IX quando foram unificadas pelos Premyslidas (Přemyslovci). O reino da Boémia foi uma potência regional com significado, mas conflitos religiosos como as Guerras Hussitas do século XV e a Guerra dos Trinta Anos do século XVII foram devastadoras. Mais tarde, a Boémia caiu sob influência dos Habsburgos e passou a fazer parte da Áustria-Hungria.
Depois do colapso deste estado, que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, os tchecos e os seus vizinhos eslovacos juntaram-se e formaram a república independente da Checoslováquia em 1918. O primeiro presidente da tchecoslováquia foi Tomás Masaryk. Este jovem país continha uma minoria alemã de grandes dimensões, na região dos Sudetas, o que iria levar à dissolução da Checoslováquia quando a Alemanha anexou a minoria por via do Acordo de Munique em 1938, e a Eslováquia também se separou. O estado checo remanescente foi ocupado pelos alemães em 1939.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia caiu na esfera de influência soviética. Em 1968, uma invasão de tropas do Pacto de Varsóvia pôs fim aos esforços dos líderes do país para liberalizar o regime e criar um "socialismo de rosto humano", durante a Primavera de Praga.
Em 1989, a Tchecoslováquia recuperou a liberdade por via de uma "Revolução de Veludo" pacífica. A 1 de Janeiro de 1993, o país separou-se em dois pacificamente, resultando em países independentes: República Tcheca e Eslováquia.
A República Tcheca aderiu à OTAN em 1999 e à União Europeia em 2004.

- DADOS GERAIS
Capital Praga Cidade mais populosa Praga Língua oficial Checo (tcheco) Entrada na UE 1 de Maio de 2004
Indepedência da Áustria-Hungria 28 de Outubro de 1918 - Desunificação da Checoslováquia 1 de Janeiro de 1993 Área - Total 78.866 km² (117º) População - Estimativa de 2007 10.381.130 hab. (78º) - Censo 2001 10.230.060 Densidade 130 hab./km² (77º)
 Fuso horário CET (UTC+1) - Verão (DST) CEST (UTC+2) Clima Oceânico  Moeda Coroa (koruna) (CZK) www.czechtourism.com, www.travel.cz e www.visitczechia.com  Cód. Internet .cz
Cód. telef. +420
- PANORAMICA
Para muita gente, a República Tcheca é um destino exatamente do tamanho dos limites de Praga. Não há dúvidas de que sua bela capital merece tal deferência, mas há muito mais do que Praga para ver em um dos países mais bonitos do continente. Ainda mais indo de carro. Para os amantes das cervejas, tem Pilsen e Ceske Budejovice, dois templos no mundo das louras geladas; bons achados, como as pequenas Ceske Krumlov e Olomuc; cidades termais coloridas, construídas nos tempos do poderoso Império Austro-Húngaro, como Karlovy Vary ou Marianske Lanske, aquela que um dia já foi conhecida como Marienbad (lembra do filme do diretor francês Alain Resnais O Ano Passado em Marienbad?). Sem falar de um bocado de castelos. É claro que Praga está incluída neste roteiro, feito sob medida para ser percorrido em oito dias. Mas há desvios providenciais: Viena, a capital da Áustria, Hungria e a Eslováquia, que afinal de contas estão logo ali.

1º DIA
Pilsen: a rota da cerveja
Muita coisa mudou na República Tcheca e na Europa do Leste, desde a primeira vez em que a visitei, em 1990, meses depois da queda do Muro de Berlim. Naquela época, ainda se via tropas de soldados soviéticos e os passaportes tinham de ter visto de entrada e eram controlados e carimbados por autoridades da então Tchecoslováquia. Tudo num tremendo mau humor e sem conversa, caso algum documento não estivesse em ordem. Isso aconteceu comigo numa madrugada fria, interrompendo bruscamente minha viagem. Agora, basta um passaporte brasileiro válido para cruzar aquelas fronteiras sem o menor problema. E nem baixo-astral. Em vez de cidades cinzentas pela fuligem e com cara de abandonadas, como as que vi há 17 anos, hoje em dia, mesmo os vilarejos menores são floridos e bem cuidados.

Outra mudança considerável foi na qualidade das estradas. Antes o caminho a partir da Alemanha (ainda Ocidental) era feito por uma pista estreita e sem-vergonha. Hoje se entra no país por uma larga rodovia, que o corta de oeste para leste, rumo à Eslováquia, Áustria e Hungria. Ela é paga, mas você não verá cabines de pedágio pelo caminho. Logo após a fronteira, em postos de troca de dinheiro também é possível comprar a vignette, selo que deve ser grudado no pára-brisa do seu automóvel e permite a circulação nessa malha. Ser pego sem ele vale uma multa de cerca de 180 euros.

ATENÇÃO - Neste trecho de fronteira, tome cuidado onde pára. Há boates e prostitutas na beira de estrada. Assaltos são comuns.

Apenas 56 quilômetros depois de Rozvadov, a primeira cidade tcheca na fronteira para quem chega da Alemanha, fica Pilsen. O lugar que virou sinônimo de cerveja até no Brasil já produziu uma que estava entre as piores da Europa. Era escura, amarga e tão ruim que, em 1838, 36 barris repletos foram virados diante da Coluna da Peste, na praça principal da cidade (hoje rebatizada como Námesti Republiky, ou seja, Praça da República, e repleta de casarões antigos e coloridos). Depois do fiasco, o conselho municipal reuniu-se em uma sessão de emergência na antiga prefeitura (aliás, outro prédio lindo, em estilo barroco) e decidiu pela contratação de um novo mestre-cervejeiro, o alemão Josef Groll. Tiro mais do que certeiro: ele revolucionou o jeito de fabricar a bebida com o processo de baixa fermentação.

Diariamente, a principal cervejaria da cidade, a Pilsen Urquell (U Prazdroje, 7, www.pilsnerurquell.com; 10h30/14h30) abre suas portas à visitação, que acaba, é claro, em degustação. Para os que ainda tiverem sede de saber mais sobre a bebida, a dica é o Museu da Cerveja (Velestilavinova, 6, 10h/18h), pequeno, mas bem montado. E, para arrematar, há na cidade pubs charmosos, como o Stara Sladovna (Malá, 3) e o U Salzmann (Pražská, 8), ambos perto da Praça da República, e o Pilsen Unique Bar (Presovská, 16), em que a pils é a grande estrela, servida em torneiras de chope instaladas nas próprias mesas. Os tira-gostos com pão preto e salsicha à moda local são deliciosos.

Com tantas atrações etílicas, a tentação para beber uns copos da grande invenção local evidentemente é enorme, mas, a menos que você esteja acompanhado por algum abstêmio que pode guiar, tome cuidado: na República Tcheca a tolerância ao álcool é zero. Se beber, durma aqui.

PARE - Em Pilsen, as pensões City (Sady, 5, 420-377/326-069) e Solni (Solni, 8, 420-377/236-652) têm quartos simples e confortáveis. Mas vale pagar mais para fi car no melhor da cidade, o tradicional Hotel Continental (Zbrojnicka, 8, 420-377/235-292, www.hotelcontinental.cz; Cc: todos), todo em estilo art déco.

2º DIA Praga para caminhar Praga (ou Praha, como escrevem os tchecos) fica a 95 quilômetros de Pilsen, uma viagem tranqüila de uma hora em auto-estrada. Mas a moleza acaba aí: áreas centrais, como Stare Mesto e Josefov, onde estão as principais atrações, são infernais para quem dirige. As ruas são acanhadas, há poucas vagas para estacionar e um montão de guardas loucos para multar. Ao menos por hoje, esqueça o carro e ande a pé ou de ônibus - o transporte público é eficiente. Agora, se você for do tipo preguiçoso, daquele que detesta andar, uma dica charmosa é fazer um tour em pequenos carros conversíveis, organizados pela Sightseeing Tours (Klimentská 52, Praha 1, 420-2/2231-4655, www.pstours.cz).

PARE - Simples, porém confortável, é o Hostel Tyn (Týnská, 19, 420-2/24 80-8333, www.hostel-tyn.web2001.cz). Mais luxuoso, o Hotel Paris (420-2/2219-5195, www.hotel-paris.cz; Cc: todos) foi inaugurado em 1904 e é considerado monumento histórico. Os dois ficam pertinho do centro histórico.

3º DIA Pelos arredores de Praga Está com saudades de dirigir? Pois Praga pode servir como um bom ponto de apoio para conhecer, de carro, as cidades próximas. A começar por Karlstein, uma aldeia de 800 habitantes e um belo castelo do século 14. Fica a cerca de 50 minutos ao sul, pela D5. Na direção leste, a 84 quilômetros, metade deles pela D11, está Kutná Hora, uma antiga cidade que foi freqüentada pelos nobres até o século 19 e tem uma monumental catedral dedicada a Santa Bárbara. A 136 quilômetros, ao norte, boa parte pela E65, fica Harrachov, cidadezinha encravada nas montanhas, quase na fronteira com a Polônia, e onde se compram objetos de cristal bem variados e a bons preços.

E quer saber? Para fazer essas viagens não é preciso saber falar em tcheco muito mais do que Dobry den (bom dia), Prosim (por favor) e Diekuji (obrigado), já que muitos arranham o inglês e o alemão e, mesmo quando não sabem falar nada além de tcheco, são muito prestativos. Inclua-se aí a bela Judith, vendedora de vinhos caseiros que me ajudou a encontrar a direção correta para Kutná Hora. Além de dar um precioso conselho: os vinhos brancos, frutados, são bem melhores do que os tintos.

4º DIA Cesky Krumlov, uma surpresa Ao estacionar nas portas de Cesky Krumlov, 180 quilômetros ao sul de Praga (pela estrada R4), a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: como é que eu nunca ouvi falar de um lugar tão legal como este aqui? O primeiro impacto vem do castelo, com seus inúmeros arcos, construído no alto de um penhasco e aberto à visitação. É tudo lindo por ali. Depois que se atravessa uma pontezinha sobre o Rio Vltava (o mesmo que banha Praga) chega-se ao coração da cidade, com casas coloridas e o jeito de uma aldeia medieval. Uma espécie de versão tcheca de Ouro Preto ou Parati, com restaurantezinhos, artistas de rua, lojas de artesanato simpáticas e hotéis confortáveis.

DICA - A apenas 27 quilômetros de Cesky Krumlov, pela estrada E39, desta vez na direção leste, fica outro marco na história da cerveja: Ceské Budejovice, onde desde o século 19 se produz a Budvar. A Taverna Budvar (esquina Prazká com K Svetlé, 10h/22h) promove tours com dugustação. Quem já cansou de visitar fábricas pode saboreá-la no Zeppelin Club (Premysla Otakara II, 38), o bar mais animado da cidade.

5º DIA As fontes de Olomuc Olomuc é daqueles segredos que só se divide com amigo. Tem estilo barroco, um frescor universitário (há várias universidades ali) e edifícios bem conservados. Horni Namesti, sua praça central, guarda preciosidades, como o prédio da prefeitura, de 1378, e o relógio astronômico da capela, adaptado aos tempos comunistas: os santos foram substituídos por operários e camponeses. Mesmo assim, a tradição religiosa de Olomuc resistiu. A cidade tem duas catedrais (a de São Maurício, em estilo gótico, do século 16, e a de São Venceslau, neogótica), um seminário dominicano, a igreja barroca de Nossa Senhora das Neves e o Palácio dos Arcebispos. Mas o símbolo de Olomuc são suas seis fontes barrocas e, claro, a sua Coluna da Peste.

O melhor jeito de chegar é pela auto-estrada D1, em uma viagem de 275 quilômetros a partir de Praga, margeando a segunda cidade tcheca, Brno. Próxima das fronteiras com a Áustria (Viena fica só a 200 quilômetros ao sul) e Eslováquia, a leste, Olomuc é um ótimo ponto de escala para fazer roteiros rumo a esses dois países e ainda na direção da Hungria, também por perto.

5 TOQUES PARA QUEM VAI DE CARRO

1. Prefira modelos a diesel, mais econômicos na hora de abastecer (o combustível custa cerca de 15% a menos em comparação com a gasolina). 2. Uma coroa tcheca vale cerca de 30 euros. O preço do combustível varia muito na República Tcheca. O litro do diesel pode custar 29,50 coroas em redes de postos como OMV e Pap e um pouco menos em bombas junto a supermercados, como o Hypernova e o Tesco, que o vendem a 27 coroas. 3. Na França as auto-estradas são pedagiadas; na Alemanha, gratuitas. Na República Tcheca, para circular nessas rodovias mais rápidas é exigido um selo que se pode comprar nos postos de gasolina ou em casas de câmbio, logo depois de entrar no país. As estradas secundárias não exigem o selo, mas há tráfego pesado de caminhões, trechos em obras e muitas vezes é necessário fazer longos desvios, com direções nem sempre bem sinalizadas. 4. Para dirigir nos países da Comunidade Européia, como os que fazem parte deste itinerário, basta possuir a carteira de habilitação brasileira acompanhada pelo passaporte. 5. Nas estradas, fique de olho nas placas com limites de velocidade e também onde estacionar o carro: a sinalização nem sempre é clara e as multas, freqüentes.

E quer saber? Para fazer essas viagens não é preciso saber falar em tcheco muito mais do que Dobry den (bom dia), Prosim (por favor) e Diekuji (obrigado), já que muitos arranham o inglês e o alemão e, mesmo quando não sabem falar nada além de tcheco, são muito prestativos. Inclua-se aí a bela Judith, vendedora de vinhos caseiros que me ajudou a encontrar a direção correta para Kutná Hora. Além de dar um precioso conselho: os vinhos brancos, frutados, são bem melhores do que os tintos.

 

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