Apesar de haver
alguns indícios arqueológicos que sugerem a ocupação humana do México desde
há mais de 20 000 anos, a primeira prova sólida desta ocupação tem origem em
dois locais de caça no norte da Bacia do México. Segundo as evidências
encontradas, estes caçadores-recolectores alimentavam-se de mamutes e outros
animais. Os antigos mexicanos começaram a cultura selectiva de plantas de
milho cerca de 8 000 a.C. Há evidências de uma explosão na quantidade de
trabalhos em cerâmica cerca de 2300 a.C. e do início da agricultura
intensiva entre 1800 e 1500 a.C.
Civilizações pré-colombianas Entre 1800 e 300 a.C., começaram a formar-se
culturas complexas. Algumas evoluíram para avançadas civilizações
mesoamericanas pré-colombianas tais como: olmeca, teotihuacan, maia,
zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca, e mexica (ou asteca), as
quais floresceram durante cerca de 4000 anos até ao primeiro contacto com
Europeus. Atribuem-se a estas civilizações indígenas várias criações e
invenções: templos-pirâmide, cidades, a matemática (sendo o primeiro povo do
mundo a usar o zero), astronomia, medicina, escrita, calendários precisos,
belas artes, agricultura intensiva, engenharia, um ábaco, teologia complexa,
o chocolate e a roda.
Inscrições antigas em rochas e paredes rochosas por todo o norte do México
(especialmente no estado de Nuevo León) demonstram desde muito cedo uma
propensão para contar no México. Estas marcas de contagem muito antigas
estavam associadas a acontecimentos astronómicos e sublinham a influência
que as actividades astronómicas tinham sobre os nativos mexicanos, mesmo
antes do desenvolvimento de civilizações. De facto, todas as civilizações
mexicanas mais tardias construiriam cuidadosamente as suas cidades e centros
cerimoniais de acordo com acontecimentos astronómicos específicos. Em
alturas diferentes, houve três cidades mexicanas que eventualmente se
tornaram nas maiores cidades do mundo: Teotihuacan, Tenochtitlan e Cholula.
Estas cidades – entre várias outras - foram centros florescentes de
comércio, idéias, cerimônias e teologia. Por outro lado, espalharam a sua
influência a culturas vizinhas. Arquitectura maia em Uxmal.Ainda que muitas
cidades-estado, reinos e impérios competiram uns com os outros por poder e
prestígio, pode-se dizer que o México teve quatro civilizações principais e
unificadoras: a olmeca, teotihuacan, a tolteca e a mexica. Estas quatro
civilizações estenderam a sua influência por todo o México – e para além
deste - como nenhuma outra. Consolidaram poder e influenciaram o comércio,
arte, política, tecnologia e teologia. Outras potências regionais fizeram
alianças políticas e económicas com estas quatro civilizações ao longo de
4000 anos. Muitas foram as que entraram em guerra com elas. Mas todas elas
se viram dentro destas quatro esferas de influência.
Conquista espanhola
Hernán Cortés, conquistador do MéxicoEm 1519, as civilizações nativas do
México foram invadidas pela Espanha, e dois anos mais tarde em 1521, a
capital dos astecas, Tenochtitlan, foi conquistada por uma aliança entre
espanhóis e tlaxcaltecas (os inimigos principais dos astecas). Francisco
Hernandez de Córdoba, descobridor do Iucatão, explorou as costa do sul do
México em 1517, seguido por Juan de Grijalva em 1518. O mais importante dos
conquistadores foi Hernan Cortés, que entrou no país em 1519, a partir de
uma vila nativa costeira que ele rebaptizou de Puerto de la Villa Rica de
Vera Cruz (hoje a cidade de Veracruz).
Contrariamente ao que geralmente se pensa, a Espanha não conquistou a
totalidade do México em 1521 e passariam ainda dois séculos antes que tal
sucedesse, havendo durante esse período rebeliões, ataques e guerras
continuadas por parte de outros povos nativos contra os espanhóis.
Os astecas, a potência dominante no país, acreditavam (de acordo com mitos
antigos) na tradição do regresso de Quetzalcóatl num ano Ce-Acatl. O
calendário Pré-Colombiano era dividido em ciclos ou períodos de 52 anos.
Cada 52º ano era um ano Ce-Acatl sendo 1519 um desses anos. Os astecas
acreditavam que os conquistadores espanhóis eram enviados dos deuses (de
acordo com os estudiosos ortodoxos), tendo oferecido pouca resistência aos
seus avanços. (Ironicamente, Cortés não menciona este episódio nas suas
cartas ao Rei Carlos V de Espanha.)
Os estudiosos modernos começam a questionar esta forma de interpretar o que
se passou. Reputados estudiosos dos astecas, como Ross Hassig da
Universidade de Oklahoma, demonstraram que Quetzalcóatl era na realidade uma
ordem religiosa de sacerdotes durante a anterior era tolteca. Esta ordem,
sob tutela do seu líder Ce Acatl Topiltzin Quetzalcoatl é famosa pelo seu
exílio na zona oriental do México (no que é hoje o Iucatão). Os astecas
poderão ter pensado que os espanhóis eram possivelmente da linhagem da Ordem
de Quetzalcoatl e como tal merecedores tratamento diplomático.
Para aumentar ainda mais a confusão sobre este assunto, existe o facto de a
língua nahuatl dos astecas estar repleta de termos para humildade e polidez,
especialmente para convidados. Os embaixadores estrangeiros eram sempre
tratados com reverência e convidados para a capital Tenochtitlan, onde
experimentavam todos os aspectos da alta diplomacia esperada entre nações.
Acabariam por se opor aos espanhóis, depois de se ter tornado evidente que
estes não pertenciam à linhagem dos sacerdotes de Quetzalcóatl e que tão
pouco eram deuses.
Após uma importante batalha em 1519, na qual as forças espanholas foram
derrotadas e obrigadas a bater em retirada, os espanhóis reagruparam-se fora
do Vale do México. Passados oito meses estavam de regresso, tendo ao seu
lado um contingente ainda maior de nativos seus aliados. Por esta altura a
varíola, trazida pelos espanhóis, havia dizimado a população asteca,
reduzindo drasticamente a capacidade de combate das forças astecas. A
capital Tenochtitlan foi sitiada, tendo este facto conduzido à derrota total
dos astecas em 1521. Apesar das suas armas de metal, cavalos, canhões e
milhares aliados indígenas, os espanhóis levaram sete meses inteiros para
conseguir a capitulação dos astecas. Tratou-se de um dos mais longos cercos
continuados da história mundial.
Foram três os principais factores contribuintes para a vitória espanhola. Em
primeiro lugar, os espanhóis possuíam tecnologia militar superior, incluindo
armas de fogo, bestas, armas de ferro e aço e cavalos. Outros aliados dos
espanhóis foram as várias doenças do Velho Mundo que haviam levado com eles
(principalmente a varíola), para as quais os nativos não tinham qualquer
imunidade e que acabariam por tornar-se pandémicas, dizimando uma grande
parte da população nativa. Por último, os espanhóis conseguiram fazer seus
aliados vários povos sob o domínio do Império Asteca que viam os espanhóis
como o meio de se libertarem do poder asteca, destacando-se de entre eles os
tlaxcaltecas.
Guerra da independência mexicana A luta pela independência começou em 16 de
Setembro de 1810, liderada por Miguel Hidalgo, um padre de ascendência
espanhola (ver Grito de Dolores). Após a invasão da Espanha por Napoleão I e
a colocação do irmão deste no trono espanhol, os conservadores mexicanos e
os ricos proprietários, apoiantes da família real espanhola da Casa de
Bourbon mostraram-se contrários às políticas napoleónicas comparativamente
mais liberais . Assim nasceu no México uma aliança à primeira vista
improvável: dum lado os liberales, ou liberais, que defendiam um México
democrático; do outro os conservadores que pretendiam um México governado
por um monarca de Bourbon, que restaurasse o anterior status quo. As duas
partes acabaram por concordar que o México deveria tornar-se independente e
decidir o seu próprio destino.
As figuras mais proeminentes da guerra da independência do México foram o
padre José Maria Morelos y Pavón, Vicente Guerrero e o general Agustín de
Iturbide. A guerra prolongar-se-ia por onze anos até à entrada do exército
de libertação na Cidade do México em 1821. Assim, ainda que proclamada em
1810, a independência só foi conseguida em 1821, com a assinatura do Tratado
de Córdoba, que ratificava o Plano de Iguala, no dia 24 de Agosto de 1821,
em Córdoba. Foram signatários deste tratado o vice-rei espanhol Juan de O’Donojú
e Agustín de Iturbide.
Em 1821 Agustín de Iturbide, um antigo general espanhol que havia passado
para o lado das tropas independentistas, autoproclamou-se imperador
(oficialmente tratava-se de uma medida temporária, até que se conseguisse
persuadir um membro da realeza europeia a tornar-se monarca do México – ver
Império Mexicano para mais informação). Uma rebelião contra Iturbide em 1823
levou à criação dos Estados Unidos Mexicanos. Em 1824 Guadalupe Victoria
tornou-se o primeiro presidente do novo país; o seu nome de baptismo era
Félix Fernandez tendo escolhido o seu novo nome por motivos simbólicos:
Guadalupe como agradecimento pela protecção da Nossa Senhora de Guadalupe, e
Victoria pela vitória obtida.
Estabilização e revolução institucionalizadas O Partido Nacional Mexicano,
ou PNM, foi formado, em 1929, pelo então presidente general Plutarco Elías
Calles. Este partido tornar-se-ia mais tarde o Partido Revolucionário
Institucional ou PRI, que governou o país durante o que restava do século
XX. O PNM foi bem sucedido na tentativa de convencer a maioria dos generais
revolucionários que ainda restavam a desmobilizar os seus exércitos pessoais
que passaram a integrar o recém-criado Exército Mexicano. A fundação do PRI
é considerada por alguns como o verdadeiro fim da Revolução Mexicana.
Em 1934 chega ao poder o presidente Lázaro Cárdenas, transformando o México:
em 1 de Abril de 1936 enviou Calles, o último general com ambições
ditatoriais, para o exílio; conseguiu ainda unir as diferentes facções
dentro do PRI, estabelecendo as regras que permitiriam ao seu partido
governar sozinho durante décadas, sem perturbações internas. No dia 18 de
Março de 1938, procedeu à nacionalização das indústrias petrolíferas e
eléctricas; criou o Instituto Politécnico Nacional, concedeu asilo aos
refugiados da Guerra Civil de Espanha, iniciou a reforma agrária, a
distribuição gratuita de livros escolares e, em geral, prosseguiu políticas
que, para o bem e para o mal, marcaram o desenvolvimento do México até aos
nossos dias.
Manuel Ávila Camacho, o sucessor de Cárdenas, foi presidente durante um
período de transição entre a era revolucionária e a era da política de
aparelho sob o domínio do PRI que duraria até ao ano 2000. Afastando-se da
autarquia nacionalista, propôs-se criar um clima favorável ao investimento
estrangeiro favorecido, havia duas gerações, por Madero. O regime de Camacho
congelou os salários, reprimiu as greves e perseguiu os dissedentes com base
numa lei que proibia o crime de dissolução social. Assim, o PRI traía a
herança da reforma agrária. Miguel Alemán Valdés, o sucessor de Camacho,
chegaria mesmo a emendar o Artigo 27º da Constituição Mexicana de forma a
proteger a elite dos proprietários.
Apesar de os regimes do PRI terem conseguido crescimento económico e uma
prosperidade relativa durante quase três décadas após a Segunda Guerra
Mundial, a economia sofreu vários colapsos e a agitação política aumentou no
final dos anos 60, culminando no massacre de Tlatelolco, em 1968. Duas
crises económicas ocorreram em 1976 e 1982, após o que se procedeu à
nacionalização da banca, considerada culpada dos problemas económicos, num
período que ficou conhecido como a Década Perdida. Nestas duas crises o peso
mexicano foi desvalorizado e, até ao ano 2000, era normal ocorrer a
desvalorização da moeda e um período de recessão no final de cada mandato
presidencial, ou seja, de seis em seis anos. A crise de Dezembro de 1994,
iniciada por uma desvalorização do peso mexicano, atirou o México para o
caos económico, despoletando a mais grave recessão económica do país em mais
de meio século.
No dia 19 de Setembro de 1985, um terremoto de aproximadamente grau 8 na
escala de Richter e epicentro ao largo da costa de Michoacán causou grandes
danos na Cidade do México. As estimativas para o número de mortos variam de
6500 a 30000. (Ver Terramoto da Cidade do México de 1985.
A Revolução Mexicana Em 1910, Díaz, então com 80 anos de idade, decidiu
convocar eleições com vista à sua reeleição como presidente. Pensava ter há
muito eliminado qualquer oposição capaz de lhe fazer frente no México;
contudo, Francisco Madero, um académico oriundo de uma família rica, decidiu
concorrer contra ele tendo obtido rapidamente o apoio popular apesar de Díaz
ter ordenado a sua prisão.
Quando os resultados oficiais da eleição foram anunciados, Díaz foi
declarado vencedor quase unanimemente, com Madero a receber apenas algumas
centenas de votos em todo o país. Esta fraude cometida pelo Porfiriato era
demasiado gritante para ser ignorada pelo povo. Madero procedeu então à
elaboração de um documento, conhecido como Plano de San Luis Potosí, no qual
incitava o povo mexicano a pegar em armas contra o governo de Porfírio Díaz
em 20 de Novembro, de 1910.
Assim teve início o que ficou conhecido como Revolução Mexicana. Madero foi
detido em San Antonio, Texas, mas o seu plano surtiu efeito apesar de ele se
encontrar preso. O exército federal foi derrotado pelas forças
revolucionárias comandadas por, entre outros, Emiliano Zapata no sul, Pancho
Villa e Pascual Orozco no norte e Venustiano Carranza. Porfírio Díaz
renunciaria ao cargo de presidente em 1911 em prol da paz nacional, tendo-se
exilado na França, onde morreria em 1915.
Os líderes revolucionários tinham muitos objectivos diferentes; as figuras
revolucionárias iam de liberais como Madero a radicais como Emiliano Zapata
e Pancho Villa. Como consequência, provou ser muito difícil conseguir um
acordo sobre a organização de um governo emanado dos grupos revolucionários
vitoriosos. O resultado foi uma luta pelo controlo do governo mexicano, um
conflito que se estendeu por mais de vinte anos. Este período de luta é
geralmente considerado parte da Revolução Mexicana embora possa também ser
visto como uma guerra civil. Durante este período seriam assassinados, entre
muitos outros, os presidentes Francisco I. Madero (1911), Venustiano
Carranza (1920), bem como os líderes revolucionários Emiliano Zapata (1919)
e Pancho Villa (1923).
À resignação de Díaz sucedeu-se um breve interlúdio reaccionário, com a
eleição de Madero como presidente em 1911. Foi deposto e morto em 1913 por
Victoriano Huerta. Venustiano Carranza, um antigo general revolucionário que
se tornou um dos vários presidentes neste período conturbado, promulgou uma
nova constituição em 5 de Fevereiro de 1917. A Constituição Mexicana de 1917
ainda hoje rege o México.
Álvaro Obregón torna-se presidente em 1921. Agradava a todos os grupos da
sociedade mexicana, com excepção das franjas mais reaccionárias do clero e
dos grandes proprietários, tendo sido bem sucedido na catalisação da
liberalização social, em particular reduzindo o papel da Igreja Católica,
melhorando a educação e tomando medidas visando a instituição dos direitos
civis das mulheres.
Ainda que a Revolução Mexicana e a guerra civil estivessem terminadas depois
de 1920, os conflitos armados continuaram. O conflito mais abrangente desta
época foi a luta entre os que queriam uma sociedade secular com separação
entre Igreja e Estado e, por outro lado, os que defendiam a supremacia da
Igreja Católica e que acabaria por resultar num levantamento armado por
parte de apoiantes da Igreja, no que se chama a Guerra Cristera. |