|
Até 1763 Diversas tribos nativas americanas viviam na região
que atualmente consiste a província de Quebec milhares de anos antes da
chegada dos primeiros europeus. Tais tribos eram pertencentes a três
famílias nativo-americanas diferentes: os inuit (popularmente conhecidos
como esquimós), os iroqueses e os algonquinos. Os inuit viviam no extremo
norte do atual Quebec, enquanto as tribos algonquinas e iroquesas viviam na
região sul do Quebec, próximas ao vale do Rio São Lourenço. O primeiro
europeu a explorar o interior do Quebec foi o francês Jacques Cartier. Ele
navegou ao longo do Rio São Lourenço, tendo desembarcado em terra várias
vezes. Gaspé, a Cidade de Quebec e Montreal estão localizadas no locais onde
três destes desembarques foram realizados. Cartier, então, reivindicou a
região à coroa francesa. Esta região tornar-se-ia a base das colônias
francesas na América do Norte, a Nova França.
Jacques Cartier.Em 1608, com o suporte do Rei Henrique IV da França, Samuel
de Champlain fundou Quebec, com seis famílias totalizando 28 pessoas, sendo
o primeiro assentamento bem-sucedido criado no Canadá. A colonização da
região foi lenta e difícil. Muitos colonizadores morreram devido a rigorosas
condições climáticas e a falta de suprimentos. Em 1630, 22 anos depois,
apenas 100 colonos viviam no assentamento de Quebec, e dez anos depois, a
população aumentaria para 359 colonos. Champlain rapidamente aliou-se com os
nativos americanos algonquinos e montagnais. Estas duas tribos estavam em
guerra com os iroqueses. Champlain também conseguiu fazer com que alguns
jovens colonos franceses vivessem com os algonquinos e os montagnais, para
que eles pudessem aprender idiomas indígenas e adaptassem à vida na região.
Estes jovens colonos, conhecidos como Voyageurs, como Étienne Brûlé,
estenderam a influência francesa até a região dos Grandes Lagos, bem como
sob as tribos nativas hurões que viviam ali.
Nas primeiras décadas da existência do Quebec, apenas algumas poucas
centenas de colonos viviam na região, enquanto que as colônias inglesas ao
sul eram muito mais populosas e ricas. O Cardinal Richelieu, um conselheiro
do Rei Luís XIII da França, queria que a Nova França tivesse a mesma
importância que as colônias inglesas ao sul. Em 1627, Richeleu criou a
Companhia dos Cem Associados, para investir economicamente na Nova França, e
prometeu lotes de terra para as pessoas que tivessem interesse em migrar à
Nova França. Isto atraiu centenas de pessoas e tornou o Quebec uma
importante colônia mercantil. Champlain eventualmente foi nomeado o
Governador da Nova França. Ele proibiu que qualquer colono não-católico
vivesse na região. Protestantes foram obrigados ou a renunciar a sua fé e a
suas crenças, para continuar a morar na Nova França, ou foram obrigados a
mudar-se. Muitos dos protestantes escolheram mudar-se, migrando para as
colônias inglesas ao sul. A Igreja Católica e missionários católicos como
jesuítas e recollets ficaram firmemente estabelecidos no território.
Richelieu também introduziu um sistema semi-feudal de agricultura, que seria
típico do Vale do São Lourenço até o século XIX. Ao mesmo tempo, porém, as
colônias inglesas ao sul começaram a expandir-se ao norte, em direção do
Vale do São Lourenço, e em 1629, o assentamento de Quebec foi capturado,
ficando sob controle inglês até 1632. Champlain, então, ordenou a Sieur de
Laviolette a fundação de outro posto comercial, onde atualmente fica a
cidade quebequense de Trois-Rivières.
Champlain morreu em 1635 e a Igreja Católica tornou-se a força dominante na
Nova França. Em 1642, a Igreja suportou economicamente um grupo de
assentadores, que fundaram Ville-Marie, na ilha de Montreal, um pequeno
assentamento que posteriomente viria a ser a cidade de Montreal. Por volta
da década de 1640, missionários jesuítas subiram até a região dos Grandes
Lagos e converteram religiosamente muitos dos hurões que viviam na região
para o cristianismo. Os missionários logo entraram em conflito com os
iroqueses. Estes constantemente atacavam Montreal, e por volta de 1649,
ambos as missões jesuítas e os hurões estavam quase completamente
destruídas.
Por volta da década de 1650, Montreal ainda tinha apenas algumas centenas de
assentadores e a Nova França quase caiu completamente frente aos constantes
ataques iroqueses. Em 1660, o colono francês Adam Dollard des Ormeaux
liderou uma força militar, composta por franceses e hurões, contra uma força
muito maior de iroqueses. Nenhum dos franceses sobreviveu. Em 1663, a Nova
França finalmente tornou-se mais segura quando o Rei Luís XIV criou uma nova
Província da França. Em 1665, ele enviou uma força militar francesa ao
Quebec e o governo da colônia foi reformado. Em 1665, Jean Talon foi enviado
pelo Ministro da Marinha francesa, Jean-Baptiste Colbert, para a Nova
França, para servir como o primeiro Intendente da região. Estas reformas
limitaram o poder do Bispo de Quebec, que anteriormente era a autoridade
mais poderosa na Nova França.
O censo de 1666 feito na colônia, realizado por Jean Talon no
inverno de 1665-1666, revelou uma população de 3 215 habitantes na Nova
França — muito mais do que algumas décadas passadas. A maior parte desta
população morava na região do atual Quebec. Porém, havia uma grande
disparidade entre o número de pessoas do sexo masculino (2 034) e do sexo
feminino (1 181). Como resultado, esperando fazer da colônia a capital do
Império Colonial da França, Luís XIV de França concordou em enviar mais de
700 mulheres solteiras (que tinham entre 15 a 30 anos de idade) para a Nova
França. Elas passariam a ser conhecidas como as "Filhas do Rei". Ao mesmo
tempo, casamentos com nativas indígenas foram incentivados, e vários homens
solteiros, conhecidos como engagés, foram enviados da França para a Nova
França. Um deles, Étienne Trudeau, foi um dos ancestrais do futuro
primeiro-ministro canadense Pierre Elliott Trudeau.
Em 1689, os ingleses e os iroqueses invadiram a Nova França, após muitos
anos de conflitos menores ao longo dos territórios franceses e ingleses.
Esta guerra, conhecida como a Guerra do Rei William, terminou em 1697, mas
uma segunda guerra, a Guerra da Rainha Ana, começou em 1702. O Quebec
sobreviveu às invasões anglo-iroquesas em ambas as guerras, mas Port Royal e
Acádia passaram para controle inglês em 1690. Em 1713, o Tratado de Utrecht
estabelecia relações de paz entre a Inglaterra e a França — o custo aos
franceses foi a perda definitiva da Acádia e da Terra Nova e Labrador — os
franceses continuariam a ter controle sobre a histórica Louisiana, e os
territórios que formam atualmente as províncias canadenses de Quebec,
Ontário, Ilha do Príncipe Eduardo e Nova Brunswick. Após a assinatura do
tratado, a Nova França começou a prosperar economicamente. Indústrias como a
pesca e a agricultura, que haviam sido medíocres sob o controle de Talon,
começaram a crescer. Uma estrada foi construída entre Quebec e Montreal.
Novos portos foram construídos, e centros portuários mais antigos foram
modernizados. O número de colonos aumentou bastante, e por volta de 1720,
toda a região que constitui a província de Quebec possuía 24 594 habitantes.
A Igreja Católica ainda mantinha controle sobre a educação e programas de
ajuda social na Nova França. Esses anos de paz é conhecido como a "Idade de
Ouro" da Nova França.
A paz durou até 1744, quando William Shirley, então governador da colônia
britânica de Massachussets, comandou um ataque contra o Fort Louisburg. Os
franceses mostraram-se incapazes de resistir ao ataque britânico, e
Louisburg passou para domínio britânico. Tentativas francesas de tomar o
forte em 1746 falharam. O forte passou novamente ao controle francês sob o
Tratado de Aix-la-Chapelle, mas isto não parou a guerra que se desenvolvia
entre a França e o Reino Unido, e suas respectivas colônias. Em 1754, a
Guerra Franco-Indígena começou, como parte da Guerra dos Sete Anos (esta
começou tecnicamente na Europa apenas em 1756). A primeira batalha da guerra
resultou na derrota de uma pequena força militar britânica, liderada pelo
Coronel George Washington, por tropas francesas no Vale de Ohio.
Porém, a Nova França então tinha somente cerca de 50 mil habitantes — um
número muito maior em comparação aos números do início do século — enquanto
que as colônias anglo-americanas possuíam então mais de um milhão de
habitantes. Foi muito mais fácil para os colonos anglo-americanos organizar
ataques contra a Nova França do que foi para os colonos franceses a
organização de ataques contra colônias britânicas. Em 1755, o general Edward
Braddock liderou uma expedição militar contra o forte francês Duquesne.
Apesar de ter uma grande vantagem numérica, além do suporte militar dos
iroqueses, a a força militar de Braddock foi derrotada, sendo que o prórpio
morreu em batalha. Em 1758, o Reino Unido novamente capturou o Forte
Louisbourg, permitindo o bloqueio do Rio São Lourenço, e, assim, o envio de
novas tropas por parte da França às colônias francesas — a sentença de morte
da Nova França. Em 1759, os britânicos cercaram a Cidade de Quebec, pelo
rio, e uma força militar, liderada pelo general James Wolfe, derrotou os
franceses, liderados pelo general Louis-Joseph de Montcalm, na Batalha dos
Campos de Abraham, em setembro. Os soldados em Quebec renderam-se
completamente em 18 de setembro, e um ano depois, em 1760, todo o norte da
Nova França (atual Ontário, Quebec, Nova Brunswick e Ilha do Príncipe
Eduardo) foram capturados pelos ingleses. O último governador da Nova
França, Marquis de Vaudreuil-Cavagnal, rendeu-se aos britânicos em 8 de
setembro de 1760, e os franceses cederam o Canadá aos ingleses no Tratado de
Paris, assinado em 10 de fevereiro de 1763. Os britânicos dividiram a Nova
França em três províncias coloniais: as províncias de Nova Brunswick, Nova
Escócia e de Quebec, esta última anteriormente localizada no que é
atualmente o sul do Ontário e do atual Quebec. Os britânicos permitiriam aos
colonos franceses a liberdade de expressão religiosa e idiomática, assim
permitindo que o catolicismo e a língua francesa sobrevivessem no Quebec.
Porém, os britânicos tentariam posteriomente assimilar a cultura francesa à
cultura britânica.
1763 – 1900 A Revolução Americana de 1776 teve início em 1775, onde
os Estados Unidos da América declaravam sua independência do Reino Unido.
Com o fim da guerra, e a independência dos Estados Unidos, vários colonos
anglo-americanos que eram leais ao Reino Unido saíram dos Estados Unidos.
Alguns instalaram-se nas colônias de Nova Brunswick e Nova Escócia, enquanto
outros migraram de volta ao Reino Unido. Porém, a maioria instalou-se no sul
da província colonial do Quebec. Logo, a população do sudoeste da província
tornou-se majoritamente anglófona, concentrados primariamente no sudoeste,
em contraste com o nordeste, de população primariamente francófona.
Crescentes atritos começaram a se desenvolver entre os colonos britânicos e
franceses. Para tentar resolver este problema, o Reino Unido dividiu a
província do Quebec em duas. A parte sudoeste da antiga província colonial
de Quebec tornou-se o Canadá Superior, base do atual Ontário, enquanto que a
parte nordeste tornou-se o Canadá Inferior, base do atual Quebec.
Em 1837, colonos franceses iniciaram uma rebelião no Canadá
Inferior, pedindo por maior autonomia política. A rebelião foi extinguida
por tropas britânicas ainda no mesmo ano, porém, reiniciariam no ano
seguinte, somente terminando por completo em novembro de 1838. Os britânicos
enviaram Lord Durham para o Canadá Superior para investigar os motivos que
levaram à rebelião. Durham aconselhou ao Reino Unido a união do Canadá
Superior com o Inferior — para tentar assimilar os colonos francófonos à
cultura dos colonos anglófonos — e também maior autonomia às colônias
britânicas na América do Norte. Em 1841, o Canadá Superior foi fundido com o
Canadá Inferior, assim formando uma única província do Canadá. O governo
desta província colonial recebeu maior autonomia e soberania sobre assuntos
regionais.
O governo desta única província do Canadá era formado por um número igual de
francófonos e de anglófonos. Porém, a população anglófona da província
crescia mais rapidamente do que a francófona e, em torno da década de 1850,
a população anglófona da província do Canadá já era maior do que a população
francófona. Isto gerou grandes atritos entre os anglófonos e os francófonos.
O Canal de Lachine, fundamental para o QuebecO Quebec passou a se destacar
como o centro econômico do Canadá a partir da década de 1830. Em 1825, o
Canal de Lachine foi inaugurado, permitindo a grandes navios navegarem o Rio
São Lourenço, na secção ao longo da Ilha de Montreal. Isto tornou Montreal
um dos maiores centros portuários da América do Norte. Ferrovias e estradas
foram construídas, e Montreal passou a se destacar também como o principal
pólo industrial, ferroviário e bancário do Canadá.
Em 1865, políticos da província do Canadá juntaram-se com políticos de
outras colônias britânicas na América do Norte em três diferentes encontros.
Como resultado destes encontros, as províncias do Canadá, Nova Brunswick e
Nova Escócia juntaram-se em uma única Confederação do Canadá. Além disso, a
província do Canadá foi dividida em duas, nas atuais províncias de Ontário e
Quebec, segundo o Ato da América do Norte Britânica. Em 1 de julho de 1867,
o Canadá tornou-se independente do Reino Unido. Os atritos entre a população
francófona do Quebec e os anglófonos do resto do país diminuíram por algum
tempo após a independência do Canadá. Segundo o Ato da América do Norte
Britânica, crianças de todo o país teria direito a receber educação
apropriada em francês ou em inglês. A minoria anglófona no Quebec continuou
a dispor de escolas protestantes que ensinavam em inglês, e pagas pela
província. Porém, o mesmo não ocorreu em várias cidades no resto do país,
onde as minorias francófonas não tinham direito de receber educação em
francês. Isto novamente levou a grandes atritos entre os francófonos
quebequenses e o resto do Canadá.
Dois acontecimentos no final do século XIX aumentaram ainda mais os atritos
entre francófonos quebequenses e o resto do Canadá. Em 1885, o francófono
Louis Riel, líder da Rebelião de Saskatchewan, foi capturado e executado no
local da atual província canadense de Saskatchewan. Já em 1899, a Guerra dos
Boers teve início na colônia britânica de África do Sul. Os anglófonos
canadenses, leais ao Reino Unido, queriam a participação ativa e urgente do
Canadá ao lado do Reino Unido. Já os francófonos eram contra qualquer
participação canadense na guerra. O então primeiro-ministro do Canadá, o
francófono quebequense Wilfrid Laurier, enviou uma pequena força de
voluntários à África do Sul, gerando grande controvérsia em Quebec. Vários
quebequenses opuseram-se ao fornecimento de qualquer suporte econômico e/ou
militar ao Reino Unido. Liderados por Henri Bourassa, tais quebequenses
acreditavam firmemente que canadenses deviam ser leais primariamente ao
Canadá, e não a outros países.
1900 – 1960 As duas primeiras décadas do século XX foram um período de
rápida industrialização no Quebec. Em 1912, a província praticamente dobrou
de tamanho, tendo expandido em direção ao norte, até a Baía de Hudson e o
Estreito de Hudson. O Quebec enfrentou disputas territoriais com a Terra
Nova e Labrador, sobre uma área no nordeste do Quebec (e ao sudoeste da
Terra Nova e Labrador) rica em minerais. A Terra Nova e Labrador então não
fazia parte ainda do Canadá. Em 1927, o parlamento britânico decidiu que a
Terra Nova e Labrador tinha o direito de ficar com o território. Este
território forma o extremo sudeste da Terra Nova e Labrador, formando uma
protuberância que se estende Quebec adentro. Desde então, as fronteiras do
Quebec não mudaram mais.
Os anos da Primeira Guerra Mundial foram de intenso
desenvolvimento econômico para o Canadá como um todo. O Canadá entrara na
guerra do lado dos Aliados. Porém, muitos francófonos não estavam
interessados na guerra, acreditando que a guerra fosse um problema
exclusivamente europeu. O exército canadense era formado inicialmente por
voluntários. O número de alistamentos no Quebec era sensivelmente menor do
que no resto do país, e o exército canadense estava perdendo mais soldados
do que ganhando através de alistamentos voluntários. Logo, tensões surgiram
entre os anglófonos e os francófonos. Os anglófonos queriam o imediato
recrutamento forçado, enquanto que os francófonos eram contra. O atrito
entre o Quebec e o resto do Canadá agravou-se com a decisão do Ontário em
abolir o uso do francês em todas as suas escolas. Em 1917, o governo
canadense instituiu o recrutamento forçado em todo o país. Isto gerou
grandes manifestações populares em Montreal e na Cidade de Quebec. Estas
manifestações foram extinguidas com o uso de força militar.
Após o fim da guerra, a indústria quebequense continuou a crescer
rapidamente, e gradualmente cada vez mais pessoas abandonavam os campos em
busca de melhores condições de vida nas cidades. A Grande Depressão, porém,
interrompeu este período de crescimento industrial, várias empresas faliram,
e muitas pessoas ficaram desempregadas. A economia do Quebec continuaria
estagnada até o início da Segunda Guerra Mundial. A província francófona
participou ativamente ao longo da guerra. O Canadá construiu várias bases
militares na província, e muitos aviadores, tanto canadenses quanto
britânicos, foram treinados na província. A província francófona era então a
maior potência industrial do Canadá, sendo a maior produtora de eletricidade
no país, além de ter enormes reservas de asbestos, carvão, alumínio e zinco.
Ao final da guerra, a produção industrial do Quebec havia triplicado em
comparação aos anos anteriores à guerra. Porém, novamente, a população
francófona era contra o recrutamento forçado. O então primeiro-ministro do
Canadá, William Lyon Mackenzie King, adotou o recrutamento forçado em 1942,
mas prometeu não enviar os soldados que fossem recrutados forçadamente à
Europa. Em 1944, King rompeu sua promessa, enviando vários soldados
francófonos quebequenses que haviam sido recrutados forçadamente. Porém, ao
contrário do que havia ocorrido na primeira guerra mundial, manifestações
populares não ocorreram.
1960 – Tempos atuais Após a morte de Duplessis, em 1959, o Quebec
continuou a prosperar economicamente, tendo construído várias represas e
localizado enormes minas de titânio e de asbestos durante a década de 1950.
O Partido Liberal de Quebec, comandado por Jean Lesage, venceu as eleições
provinciais de 1960. Entre 1960 e 1966, Lesage governou o Quebec. Este
período é chamado de Quieta Revolução, onde inúmeras reformas foram
implementadas no Quebec. Foi implementado um sistema de ajuda social, foram
feitos grandes investimentos no setor educacional da província e leis que
facilitavam a criação de sindicatos foram implementados. Além disso, a
província adotou o termo nacionalista Québécois ("quebequense") como
gentílico, em substituição à expressão Canadien français ("canadense de
origem francesa"). Em 1963, todas as companhias de eletricidade privadas que
produziam eletricidade na província foram adquiridas pelo governo de Quebec.
Ao longo da década de 1960, o Quebec exigiu do governo canadense maior
autonomia sobre problemas referentes exclusivamente ao Quebec. A província
passou a administrar seu próprio orçamento sem supervisão do governo
canadense. Todos os planos de pensão e ajuda social exercidos no Quebec e
que eram administrados pelo governo canadense passaram a ser controlados
pela província. O nacionalismo quebequense cresceu bastante durante a década
de 1960 e 1970. Em 1967, Montreal sediou a Feira Mundial de 1967, onde
vários chefes de estado compareceram, entre eles, o presidente da França,
Charles de Gaulle. De Gaulle fez um discurso à população da cidade no qual
expressava aparente simpatia a um Quebec independente. Perto de terminar seu
discurso, de Gaulle pronunciou Vive le Québec libre (Viva o Quebec livre),
sendo pesadamente aplaudido pelas pessoas que o assistiam, e pesadamente
criticado pelo então primeiro-ministro do Canadá, Lester B. Pearson.
Em outubro de 1968, o Partido Quebequense foi fundado por
René Lévesque. Este partido promovia o separatismo e a independência do
Quebec do resto do Canadá. Em 1970, membros do grupo terrorista Front de
Libération du Québec (FLQ) sequestraram Pierre Laporte, ministro do trabalho
do Quebec, e James R. Cross, desencadeando a "Crise de Outubro". Este grupo
terrorista já havia matado anteriormente cinco pessoas em diversos ataques a
bomba e assassinatos. Este grupo ameaçou que no próximo ano uma revolução
ocorreria no Quebec, onde o governo teria que enfrentar 100 mil
revolucionários armados e organizados. O então primeiro-ministro canadense,
Pierre Elliott Trudeau, a pedido do então governador do Quebec, Robert
Bourassa, instituiu lei marcial (através do War Measures Act) no Quebec. A
polícia revistou mais de três mil casas e prendeu 450 pessoas, embora a
maioria delas não tivesse envolvimento nenhum com a FLQ. Laporte foi
posteriomente encontrado morto no porta-malas de um carro. As autoridades
quebequenses e canadenses permitiram as pessoas que haviam sequestrado Cross
a exilar-se em Cuba, com a condição de libertarem Cross. Em 1972, mais de
200 mil trabalhadores públicos entraram em greve no Quebec, buscando
melhores salários. Foi a maior greve da história do Canadá. A greve durou 11
dias, fechou a grande maioria das escolas da província, e limitou serviços
hospitalares e governamentais. Em 1974, a Assembléia Nacional do Quebec
adotou o francês como único idioma oficial da província. Até então, o Quebec
era uma província bilingual, e também considerava o inglês como idioma
oficial. Esta decisão fez com que o francês se tornasse o principal idioma a
ser usado em todas as escolas públicas da província, e também o idioma a ser
usado no comércio e no governo. Em 1976, o Partido Quebequense comandado por
René Lévesque venceu as eleições provinciais. No ano seguinte, Lévesque
instituiria a Carta da Língua Francesa, também conhecida como Lei 101, que
instituía multas e outras punições aos que não obedecessem à decisão tomada
em 1974. Estas leis ajudariam a tornar a cidade de Toronto a nova capital
econômica do Canadá, por ter causado a saída de várias empresas anglófonas
de Montreal, a antiga capital econômica do país.
O Partido Quebequense realizou um plebescito em 1980, e pediu aos eleitores
que votassem a favor da separação do Quebec do resto do Canadá. Esta
secessão seria somente política, e a província continuaria unido ao Canadá
economicamente. Na votação, 60% dos eleitores votaram contra a secessão.
Em 1981, o Parlamento do Canadá votou a favor da instituição de diversas
mudanças à Constituição canadense. Várias destas mudanças não agradaram aos
quebequenses, que acreditavam que estas mudanças não ajudariam a preservar a
língua francesa no Canadá. Lévesque foi à Ottawa para tentar negociar com o
governo federal e os governadores das outras nove províncias canadenses.
Porém, na noite 4 de novembro para 5 de novembro de 1982 (chamado de La Nuit
des Longs Coûteaux em Quebec, que significa em português "A noite das longas
facas"), o então ministro da economia do Canadá, Jean Chrétien, reuniu-se
secretamente com todos os governadores com exceção de Lévesque, para assinar
e aprovar oficialmente o documento que viria a ser a nova Constituição do
Canadá. Nodia seguinte, Lévesque, ao ver o documento, recusou-se a
assiná-lo, voltando imediatamente para Quebec. A nova constituição então foi
aprovada pelo Reino Unido, e entrou em vigor ainda no mesmo ano. A população
quebequense sentiu-se traída pelo governo canadense.
Seriam realizadas duas tentativas de integrar o Quebec à nova
Constituição, uma em 1987 e outra em 1990. Na tentativa realizada em 1987,
em Meech Lake, e conhecida como Meech Lake Accord, o primeiro-ministro do
Canadá Brian Mulroney propôs algumas mudanças à Constituição canadense,
entre elas, o reconhecimento do Quebec como uma distinta sociedade
canadense. Para este acordo ter entrado em vigor, ele precisaria ter sido
aprovado (ratificado) por todas as províncias do Canadá. Manitoba e Terra
Nova e Labrador não ratificaram, e o acordo fracassou em 1990. Uma segunda
tentativa realizada em 1992, em Charlottetown, foi reprovada por 56,7% dos
canadenses não-quebequenses e por 57% da população quebequense. Até hoje, a
Constituição do canadá continua em vigor, mesmo sem a assinatura e aprovação
do Quebec.
O Partido Quebequense venceu as eleições provinciais de 1994. Em 30 de
outubro de 1995, um novo plebiscito foi realizado a favor da independência
do Quebec. 50,6% dos eleitores quebequenses votaram contra a secessão e
49,4% dos eleitores quebequenses votaram a favor. Jacques Parizeau, então
governador do Quebec, alegou que esta derrota havia acontecido por causa de
"dinheiro e voto étnico". Este comentário imediatamente repercutiu na mídia
quebequense e canadense, e Parizeau foi obrigado a renunciar. O Partido
Quebequense venceria as eleições provinciais de 1998, perdendo em 2003 para
o Partido Liberal do Quebec. Em 1995 e 1996, o Parlamento do Canadá aprovou
novas emendas cujo objetivo era promover a união canadense. Uma destas
emendas reconheceu o Quebec e sua única linguagem, cultura e leis civis. A
outra emenda deu ao Quebec e às outras quatro regiões canadenses (Ontário,
Províncias Marítimas, Províncias Ocidentais e a Terra Nova e Labrador e os
territórios canadenses) o poder de veto sobre mudanças à constituição
canadense. Em 2005, André Boisclair tornou-se o novo líder do Partido
Quebequense. O partido prometeu realizar um terceiro referendo caso retorne
ao poder. Em novembro de 2006, Stephen Harper do Partido
Conservador do Canadá declarou na Câmara dos Comuns que o
"Quebec é uma nação dentro de um Canadá unido", declaração apoiada por todos
os partidos políticos presentes na Câmara, embora não tivesse nenhum efeito
legal.
|