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Ubatuba
aparece desde os primórdios na História do Brasil. Os índios tupinambá
foram os primeiros habitantes da região. Quem nos dá esta notícia é
Hans Staden, que capturado pelos autóctones na metade do século XVI,
quase foi devorado num ritual de canibalismo, tendo ficado preso numa
aldeia em Angra dos Reis chamada de Uwatibi (Ubatuba), cujo nome também
era o do local da atual cidade de Ubatuba,. Tanto Hans Staden como os
autores Jean de Lery [6] e André Thevet mencionam ter sido
Cunhambebe (pai, figura diversa daquela do filho, o qual teria
alcançado Anchieta) o chefe supremo dos tupinambás, cujo território ia
desde o Rio Juqueriquerê em Caraguatatuba, até o Cabo de São Tomé, no
Rio de Janeiro, abrangendo não somente o local da cidade, assim como
todo território ao longo do Rio Paraíba do Sul (São José dos Campos,
Taubaté, etc). Em
Ubatuba, parece não ter havido ao menos nos primórdios, nenhuma aldeia
(nenhuma menção na obra de Hans Staden); teria sido inicialmente
somente o lugar onde os índios se reuniam com "muitas canoas" em
expedições de guerra para a região de Bertioga (paratyoca) e São
Vicente (upaunema). Contudo, na época de Anchieta, muito posterior à
Hans Staden, noticia-se a existência da aldeia de Iperoig nos
relatórios do missionário José de Anchieta ao Provincial da Ordem dos
Jesuítas, contando sobre os conflitos existentes na região.
Confederação dos Tamoios e a Paz de Iperoig Os
índios tupinambás, aqui chamados de tamoios (os mais velhos, os pais)
eram excelentes canoeiros e caçadores. Viviam em paz, embora sempre em
conflito com os irmãos tupiniquins, habitantes da região mais ao sul,
desde São Vicente e Itanhaém até Cananéia. Com a chegada dos
portugueses que escravizaram os índios para utlizá-los no trabalho
escravo em engenhos de cana-de-açúcar em São Vicente, destruindo as
famílias indígenas, os tupinambás fizeram firme aliança com os mairs
(franceses) da França Antártica na Guanabara (o Rio de Janeiro sequer
havia sido fundado), se organizando numa Confederação com invejável
poderio de guerra, sob a chefia de Cunhambebe (filho) Confederação dos
Tamoios, colocando pois, em risco, a posse da terra pelos perós
(portugueses). Contudo, nunca houve um conflito direto. Em
1563, após José de Anchieta ter passado a quaresma em Itanhaém que na
época abrangia Peruíbe, ambos os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de
Anchieta partiram de São Vicente no barco de José Adorno com destino a
Aldeia de Iperoig, numa missão
articulada pelos portugueses para pacificar os índios fronteiros, haja
vista que a maior parte das aldeias tupinambás localizava-se em torno
da Baía da Guanabara. Como os Confederados Tamoios desconfiaram da
palavra dos portugueses, Anchieta ficou como refém durante vários meses
em Ubatuba (Iperoig), enquanto Nóbrega voltou a São Vicente acompanhado
de Cunhambebe (filho) para finalizar o Tratado de Paz que passou a
figurar na História do Brasil como "A Paz de Iperoig" (O Primeiro
Tratado de Paz Das Américas). Anchieta enquanto prisioneiro escreveu na
areia da Praia de Iperoig, o célebre "Poema à Virgem", com 4.072 versos
em latim.
Criação do Município Com
a paz restabelecida e desarmados os Índios do Rio, os portugueses
destruíram o grosso da nação tupinambá em conflitos na Guanabara
(uruçumirim - morte de Estácio de Sá com uma flechada no olho) e em
Cabo Frio (gecay), expulsando os franceses [10]. Os tupinambás que
restaram embrenharam-se nos matos (segundo a obra do "seo" Filhinho,
"Ubatuba") ou migraram para outras regiões. Contudo, os índios da
região de Ubatuba permaneceram no local, tendo formado assim, a
população caiçara da região (São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba,
Paraty e Angra) assim como a população cabocla ao longo do Rio Parahyba
do Sul. Fundado o Rio de Janeiro, o governador-geral tomou providências
para colonizar a área de Ubatuba, com a intenção de assegurar a posse
para a colônia de portugueses. A aldeia foi elevada a categoria de Vila
em 28 de outubro de 1637 com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa
Cruz do Salvador de Ubatuba. No
entanto Ubatuba começou a ser colonizada em 1600 por Inocêncio de
Unhate, Miguel Gonçalves, Gonçalo Correia de Sá e seu irmão Martim de
Sá. Mais tarde a donatária da capitania, Mariana Sousa Guerra - a
Condessa de Vimieiro, da Capitania de Itanhaém, doou a sesmaria a Maria
Alves que não podendo colonizar passou o registro das terras em 1610
para Jordão Homem da Costa, construindo a Capela de Nossa Senhora da
Conceição continuando a colonização da Aldeia de Iperoig, que em 1637
foi elevada a Vila, com o nome de Exaltação à Santa Cruz do Salvador de
Ubatuba. Durante o século XVII, a produção agrícola cresceu e a Baía de
Ubatuba se transformou no mais movimentado Porto da Capitania de São
Vicente. No entanto, a Vila de Ubatuba pertencia à jurisdição do Rio de
Janeiro, até que uma ordem do Rei subordinou a São Paulo. Com
esse ato, Bernardo José de Lorena, governador da capitania de São
Paulo, tinha poderes para manipular o controle do porto, em 1789, esse
governo determinou que "toda e qualquer exportação só poderia ser feita
pelo Porto de Santos e diretamente ao Reino". Essa ordem causou grande
impacto na agricultura e cultivo foi o início da "primeira decadência
do município". Melo
de Castro e Mendonça, sucessor de Bernardo José de Lorena, ao tomar
posse em 28 de junho de 1797, logo procurou averiguar a razão das
queixas dos habitantes do litoral. Verificou
que a proibição da exportação era realmente um entrave a economia de
Ubatuba, concedendo em 28 de setembro de 1798, a liberdade de comércio
e livre exportação.
Ascensão e Decadência Econômica De
1800 a 1890 Ubatuba teve o privilégio de ser uma cidade rica, por três
vezes a arrecadação do município superou a de São Paulo, o motivo foi à
reabertura do Porto. Os ricos exportadores voltaram a reativar seus
negócios, nesse período foram construídos os mais imponentes prédios,
casas de comércio, escritórios de exportação e luxuosas residências,
evidenciando o teatro, onde atualmente funciona o Fórum da Comarca. Ubatuba
chegava ao apogeu econômico e a euforia chegou a ponto dos exportadores
planejarem uma ferrovia para modernizar o Porto e fazer concorrência
com Santos e Rio de Janeiro e atender os agricultores do Sul de Minas.
Mas a pressão dos concorrentes dos outros Portos fez com que o governo
decretasse a primeira moratória do Brasil, para impedir a construção da
ferrovia. Os
ricos mudaram de cidade, ficaram os pobres e pequenos comerciantes
vendo os imponentes sobrados sendo destruídos pelo abandono. Uma
tentativa de se construir uma ferrovia entre Taubaté e Ubatuba foi
vista com muita esperança, mas a proposta fracassou. A população
diminuiu em duas mil pessoas. A estrada da serra ficou praticamente
desativada e o tráfego marítimo foi reduzido a um navio de dez em dez
dias, no caminho entre Santos e Rio de Janeiro. Ubatuba voltava ao
isolamento, não havendo estrada terrestre ao longo do litoral, com toda
a comunicação sendo realizada através de canoas. Somente
em 21 de abril de 1933 houve uma nova esperança. Era o engenheiro
Mariano Montesanti que descia a serra no seu carro inaugurando a
estrada que construiu, ligando o município a Taubaté por rodovia, o que
despertou uma nova etapa na história de Ubatuba.
Dias Atuais Em
1948 conquistou a categoria de estância balneária, em 1950 os
taubateanos iniciaram a construção de casas de veraneio e obteve um
impulso em 1964, quando o industrial e mecenas Francisco Matarazzo
Sobrinho (o Ciccillo Matarazzo) foi eleito prefeito da cidade, e buscou
seu desenvolvimento, convocando arquitetos e paisagistas, constituindo
uma arquitetura com proporções bem resolvidas, simplicidade
construtiva, linhas harmoniosas e respeito ao clima e ao meio ambiente.
Com o passar dos anos Ubatuba sofreu demasiadamente com a especulação
imobiliária desenfreada, fazendo com que grande parte de seu rico
patrimônio histórico fosse se perdendo, sendo demolido para construção
de apartamentos, casas de veraneio e lojas comerciais. Hoje em dia
infelizmente pouco sobrou deste rico patrimônio arquitetônico, sendo
possível destacar principalmente o Sobradão do Porto, localizado no
centro da cidade. Até hoje a cidade sofre a consequência do crescimento
desordenado e do turismo especulativo. Pequeno monumento indicando o trópico de Capricórnio em Ubatuba Hoje
Ubatuba resgata seu passado na cultura caiçara, nas ruas, nas festas de
origem portuguesa e nos edifícios históricos, revelando seu potencial
como Estância Balneária para o Turismo. OBS.:
Em 1637 a então Aldeia de Iperoig se tornou Vila com o nome de Vila da
Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba. Em 1855 se tornou
Comarca de Ubatuba e em 1944 à Estância Balneária. (Dados coletados com
o Historiador Edson da Silva).
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