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história de Búzios é antiga, pouco conhecida pelos turistas que
freqüentam a região. Em Búzios há uma relação com os estrangeiros que
vem desde a época do descobrimento do Brasil. Segundo Cunha (1996), no
século XVI eram os índios tupinambás que ocupavam esta área, onde
praticavam a pesca, a caça e o cultivo de mandioca e de milho. Eles
mantiveram estreitas relações com corsários e contrabandistas
franceses, que se escondiam na localidade para contrabandear madeiras
de lei principalmente o pau-brasil (Caesalpinia echinata), e vender
escravos. Em meados do século XVII, a vila foi invadida por franceses e
ingleses. Foi base de piratas, ponto de de tráfico de pau-brasil e
desembarque de escravos africanos. Ainda na Praia de Manguinhos pode-se
apreciar o cais de pedras feito pelos escravos. Mais tarde, os
franceses foram expulsos pelos portugueses após sangrentas disputas que
dizimaram significativamente a população indígena. No século XVII ela
era uma pequena vila de pescadores com vinte casas. No fim do
século, durante a guerra dos corsos, o navio "Vingadores", de bandeira
corsa Argentina, bombardeou a costa de Búzios, como mostra o óleo sobre
tela no Museu Histórico de Búzios, situado na Rua das Pedras. No final
do século XIX e início do século XX, Búzios começou a receber
imigrantes portugueses que se uniram ao grupo de pescadores locais,
ensinando-lhes novas técnicas de pesca. Neste século, foi também criada
a Armação dos peixes de Búzios que consistia numa estrutura para
capturar peixes, ocasionando então o nome do balneário: Armação dos
Búzios. Também se caçava baleias para a extração de seu óleo que era
usado tanto para a iluminação da cidade de Rio de Janeiro quanto para
exportação. Os ossos dos animais capturados eram enterrados na praia ao
lado da Praia da Armação, dando origem ao nome de uma das mais famosas
praias de Búzios, a Praia dos Ossos. Tempos depois, a área foi
destinada para lavoura, criação de gado e as atividades das grandes
fazendas, sendo a pesca, neste trecho de litoral, terminantemente
proibida. Terminada a proibição, a economia local permaneceu por longo
período baseada na pesca e na agricultura em pequena escala, até meados
do século XX, quando começaram a surgir atividades cujas
características são totalmente diferentes das tradicionais: as
relacionadas com o turismo.
Alvorecer do turismo A pacata
aldeia de pescadores aos poucos foi se transformando num lugar de
veraneio. No início os turistas alugavam as casas dos pescadores. A
origem do turismo em Búzios remete aos anos de 1940/1950, quando a
cidade se resumia a um pequeno vilarejo de pescadores. Começou a ser
apreciada por representantes das elites carioca e paulista, que fizeram
surgir as primeiras casas, concentradas até a década de 60 nas praias
de Manguinhos e no atual Centro (praias do Canto e Armação). Esses
visitantes recebiam em suas casas amigos ilustres, incluindo políticos
e artistas, muitos deles estrangeiros. Com isso, a fama da cidade foi
crescendo entre pessoas de alta classe socio-conômica e de diversos
países. A silhueta topogéfica de Búzios e suas paradisíacas praias,
somadas a magia de seu astral, foram magnetizando seus visitantes que
voltavam à seus países contando da energia e os encantos de esta
península. No ano de 1973 a aldeia ainda se ligava a Cabo Frio com uma
estreita estrada de terra, que nos tempos de chuva impedia de passar
seu único ônibus diário. A fama de Búzios foi atraindo estrangeiros,
particularmente argentinos e franceses, que se instalaram na cidade e
foram abrindo diversos negócios.
Brigitte Bardot Foi assim
que a localidade recebeu a mais cobiçada atriz de cinema da época, a
francesa Brigitte Bardot que na ocasião namorava Bob Zaguri, um
marroquino que vivia no Brasil, e com ele se hospedou na casa do russo
André Mouriaev, então representante da ONU no Rio de Janeiro. Este fato
foi em 1964, sendo considerado um grande marco para a cidade. Naquele
momento toda a imprensa mundial direcionou atenção para a isolada vila
de pescadores, acompanhando todos os passos da atriz através de um
informante lá instalado. O impacto foi tamanho que até hoje existem
referências à celebridade em qualquer ponto da cidade, na divulgação
turística e na vida local.
A "tomada dos argentinos" Mas a
cidade passou realmente a se desenvolver como "cidade turística" a
partir da "tomada dos argentinos", no fim dos anos 1970. Fugindo da
crise econômica em seu país, muitos argentinos chegaram em Búzios com
bastante dinheiro, compraram muitas propriedades e estabeleceram
residências e negócios. Até hoje uma fração significativa do comércio e
da hotelaria está nas mãos de argentinos, que são também figuras comuns
na cidade como turistas. Esta "tomada" foi também o fato dos
europeus instalados no Brasil que acharam em Búzios um lugar
paradisíaco como eles sempre sonharam. Europeus que hoje ainda são
proprietários de casas, hotéis, bares e restaurantes. A crise na
Argentina desde os anos 90 limitou a vinda dos turistas argentinos.
Hoje a população é essencialmente brasileira durante a baixa estação.
Na alta estação Búzios é cosmopolita e viajantes do mundo inteiro
disputam as praias de Búzios.
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