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Pela primeira vez documentada no século XIII, Berlim foi sucessivamente a
capital do Reino da Prússia (1701), do Império Alemão (1871-1918), da República
de Weimar (1919-1932) e do Terceiro Reich (1933-1945). Depois da Segunda Guerra
Mundial, a cidade foi dividida. Berlim Oriental se tornou a capital da Alemanha
Oriental, enquanto Berlim Ocidental continuou sendo parte da Alemanha Ocidental.
[6] Com a reunificação alemã em 1990, a cidade passou a ser capital de toda a
Alemanha.
Primórdios
Alguns séculos a.C., a zona onde hoje se situa Berlim começou a ser habitada por
diversas tribos que se estabeleceram nas margens dos rios Spree e Havel. No
século VI, diversas tribos eslavas construíram fortificações nas actuais zonas
suburbanas de Spandau e Köpenick. Por volta do século XI, Albrecht, guerreiro
saxão da Casa dos Ascânios, derrota as tribos eslavas e torna-se o primeiro
Markgraf (conde) de Brandemburgo. Por essa altura, estabeleceram-se, nas margens
do rio Spree, imigrantes de outras regiões, nomeadamente do vale do Reno e da
Francónia.
Século XIII-XVII
O primeiro documento histórico berlinense remonta a 1237, aludindo às povoações
de Cölln e Berlim, situadas em cada uma das margens do rio Spree, envolvendo o
local onde hoje se situa Nikolaiviertel. As duas localidades aliaram-se em 1307,
tendo constituído um município comum.
Porta de Brandemburgo Com a morte, em 1319, do último governante ascânio,
Brandemburgo foi disputada pelas casas de Luxemburgo e Wittelsbach, o que
originou lutas sangrentas. Em 1414, os habitantes de Berlim, cansados de tanto
sofrimento, solicitaram o auxílio do imperador do Sacro Império Romano-Germânico
que lhes enviou, como protector, Frederico de Hohenzollern, dando origem a 500
anos de domínio da Casa de Hohenzollern. Em 1432, Cölln e Berlim consolidam a aliança de 1307,
tendo-se unficado formalmente. Em 1486 tornou-se na sede do eleitorado de
Brandemburgo.
Com a subida, em 1640, de Frederico Guilherme de
Hohenzollern ao trono de Brandemburgo, a cidade de Berlim desenvolveu-se
enormemente, tanto em extensão como em quantidade de habitantes, atingindo, no
final do século XVII, o número de 20000. Na segunda metade desse século, Berlim
foi fortificada, abriu-se um canal ligando os rios Spree e Oder e foram
plantadas tílias na Unter den Linden - hoje uma das mais importantes artérias da
cidade, em cujo extremo poente se situa o mais conhecido monumento de Berlim: a
Porta de Brandemburgo.
Século XVIII à XIX
Frederico III coroa ele mesmo como rei e faz Berlim a
capital do reino da Prússia.No início do século XVIII, Frederico III de
Hohenzollern, sucessor de Frederico Guilherme, transforma Bradenburgo num Reino,
tendo sido coroado como Frederico I da Prússia. Berlim passa, então, à categoria
de capital prussiana, vendo nascer as Academias de Belas Artes e da Ciência.
Imponentes edifícios surgem por todos os lados, sendo de destacar a Zeughaus e o
palácio de Verão (Charlottenburg). No tempo de Frederico Guilherme I, filho de Frederico I da
Prússia, a população de Berlim alcançava os 90.000 habitantes. O rei seguinte,
Frederico II, transformou Berlim numa cidade cultural. Quando da sua morte, nos
finais do século XVIII, a população de Berlim atingia os 150.000 habitantes.
Napoleão marchando em direção a Porta de Brandemburgo.No início do século
seguinte, Napoleão Bonaparte vence os prussianos, ocupa Berlim e leva para Paris
a Quadriga que encima a Porta de Brandemburgo, orgulho da cidade. Com a derrota
de Napoleão, a quadriga volta a ser colocada no mesmo local, com grande júbilo
da população. Inicia-se, nesta época, a industrialização de Berlim: surge uma
fábrica de locomotivas em 1837 e, no ano seguinte, é inaugurada a linha
ferroviária entre a capital e Potsdam. Berlim enche-se de edifícios grandiosos
concebidos, na maior parte, por Karl Friedrich Schinkel. Em 1850 Berlim já tinha
300.000 habitantes.
Guilherme I é proclamado imperador; Berlim se torna a capital do Império
Alemão.Em 1861, Otto von Bismarck, ao ser nomeado chanceler, enceta, a partir de
1864, uma política visando a posicionar a Prússia à cabeça de todos os estados
de língua alemã em detrimento da Áustria. Para o efeito, a Prússia declarou,
sucessivamente, guerra à Dinamarca, à Áustria e à França, assumindo o controle
de Schleswig-Holstein, da Confederação da Alemanha do Norte (associação que
englobava 22 estados e cidades livres) e das províncias da Alsácia e da Lorena.
Em 18 de Janeiro de 1871, Bismark proclama o Império Alemão, tendo por capital
Berlim, e Guilherme da Prússia como imperador (Kaiser). A abolição das barreiras
comerciais e as indenizações pagas pela França permitiram um enorme
desenvolvimento industrial, com o consequente aumento populacional da cidade de
Berlim e uma melhoria significativa das infraestruturas urbanas: novo sistema de
esgotos (1876), iluminação eléctrica (1879) e instalação de telefones e da
primeira linha férrea urbana (1881).
Século XX
No início do século XX, a cidade atingia 1,9 milhão de habitantes, duplicando
esse número volvidos 20 anos. A Primeira Guerra Mundial não teve um reflexo muito grande
sobre a estrutura da cidade. Em 30 de Janeiro de 1933, Adolf Hitler foi nomeado
chanceler, tendo iniciado, com a invasão da Polónia, a 1 de Setembro de 1939, a
Segunda Guerra Mundial que se estenderia até 1945, altura em que a Alemanha
perde a contenda e Berlim é invadida pelas tropas soviéticas. A partir de 1940,
Berlim sofreu inúmeros bombardeamentos, especialmente no último ano da guerra,
tendo a maioria dos edifícios ficado em ruínas.
Após o fim da guerra, as tropas americanas, britânicas,
francesas e soviéticas, reunidas em Potsdam, dividem a cidade em quatro
sectores. Berlim viu-se no centro da Guerra Fria e foi a protagonista de uma de
suas maiores crises, conhecida como o Bloqueio de Berlim (24 de junho de 1948 -
11 de maio de 1949), desencadeada quando a União Soviética interrompeu o acesso
ferroviário e rodoviário às zonas de ocupação americana, britânica e francesa. A
crise arrefeceu ao ficar claro que a URSS não agiria para impedir a ponte aérea
de alimentos e outros gêneros organizada e operada pelas três potências
ocidentais (EUA, Reino Unido e França).
Em 1949 nasce, nos territórios controlados pelos
soviéticos, a República Democrática Alemã, tendo por capital a zona oriental de
Berlim. Os restantes sectores de Berlim ficam, assim, a constituir um enclave
dentro do território da RDA. Para evitar a fuga dos berlinenses para os sectores
ocidentais, o governo comunista construiu, em 1961, o muro de Berlim muro com
cerca de 150 km de extensão, envolvendo os restantes sectores. Quem tentasse
ultrapassá-lo era imediatamente morto.
A partir de 1989, as mudanças políticas que ocorrem na
Europa Oriental levaram à queda do muro de Berlim e à abertura das fronteiras
entre a RDA e o restante do território da Alemanha (RFA). Em 1990, a Alemanha reunifica-se e Berlim volta a ser a
capital, depois de Bonn ter sido capital provisória da parte ocidental da
Alemanha desde os finais da Segunda Guerra Mundial. De então para cá, a cidade
tem vindo a sofrer uma completa transformação urbanística, com a reconstrução e
reabilitação de edifícios históricos e a edificação de novos bairros voltados
para o século XXI, aproveitando, especialmente, as zonas anteriormente ocupadas
pelo Muro.
Tempos atuais
Berlim ressurge, actualmente, em toda a sua imponência, podendo ser considerada
uma das mais belas cidades europeias
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