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Zidane faz o
Brasil chorar pela 2ª vez Zidane é um dos principais carrascos da
história do futebol brasileiro. O meia, que "ganhou" a final da Copa de
1998, mais uma vez brilhou e foi o grande responsável pela vitória por 1
a 0 da França, placar que eliminou a seleção brasileira nas
quartas-de-final. O jogador foi o autor do cruzamento que resultou no
gol de Henry e na queda do Brasil, que viu ruir seu favoritismo
incontestável de forma melancólica. Zidane estava em dia de Zidane. E um
dos últimos moicanos do futebol criativo e imprevisível bateu o Brasil
"de resultados" de Parreira, cujo lema era "show é ganhar". O camisa 10
francês desequilibrou, levou a França à vitória de 1 a 0 neste sábado,
em Frankfurt, e consolidou seu papel de um dos maiores carrascos do
futebol brasileiro, ao lado do uruguaio Ghiggia, autor do gol que
derrotou o Brasil no Maracanã na Copa de 1950.
O grande craque francês foi eleito o melhor em campo pela Fifa. Além de
eliminar o Brasil do "quadrado mágico" nas quartas-de-final da atual
Copa, Zidane já havia aniquilado a seleção verde-amarela na final da
Copa de 1998, com dois gols de cabeça. A França também amplia uma
superioridade que outras grandes seleções não têm em relação ao Brasil:
agora são três triunfos em jogos decisivos (quartas em 1986, final em
1998, quartas em 2006) contra um único do Brasil (semifinal em 1958). O
gol saiu aos 12min do 2º tempo, com Zidane cobrando uma falta da
esquerda e Henry aparecendo livre para desviar para o gol. O lance
insólito no momento do cruzamento: Roberto Carlos, que deveria estar
acompanhando Henry, ficou parado na entrada da área arrumando uma de
suas meias. Quando foi saber o que estava acontecendo, os franceses já
comemoravam. Nas semifinais, a França enfrenta Portugal na quarta-feira,
às 16h (horário de Brasília), em Munique. Quem vencer, decidirá o título
no domingo, dia 9, em Berlim, contra o vencedor de Alemanha x Itália
(que acontecerá na terça-feira).
"Nós precisávamos de um grande jogo e merecemos tudo isso. Nós sabíamos
que tínhamos de ser fortes fisicamente e assim fomos", comentou Zidane
após a vitória sobre os pentacampeões. "Lutamos muito e merecemos a
vitória. Agora, tentaremos um lugar na final. Não queremos parar. Isso
tudo é muito bonito e queremos ir além". O Brasil deu seu primeiro chute
a gol digno do nome aos 39min do 2º tempo, numa tentativa de Ronaldo,
que mais uma vez acabou derrotado pela França do amigo Zidane. Até
então, todos os esboços de ataque brasileiros foram de uma
desorganização que não ofereceu perigo maior para o goleiro Barthez. No
desespero, ainda tentou o empate até o apito final. A melhor chance foi
num chute de Ronaldo que Barthez rebateu aos 45min. A tentativa do hexa
fica para 2010, na África do Sul, com uma nova geração em algumas
posições fundamentais. A seleção brasileira volta para casa. Ou seja,
cada jogador vi para sua casa no país em que joga. Para o Brasil, só
voltam mesmo os são-paulinos Rogério Ceni e Mineiro, e o corintiano
Ricardinho, todos reservas.
O técnico Carlos Alberto Parreira compareceu à entrevista coletiva e
admitiu falhas que acarretaram na eliminação. "Faltou mais preparação na
parte física e mais entrosamento", disse Parreira, que não quis
antecipar se continuará no comando da seleção ou se deixará o cargo.
"Não estou pensando nisso. Só vou resolver quando voltar ao Brasil". Os
jogadores só começaram a falar uma hora após a partida, sendo bem
lacônicos em suas delarações. Ronaldo foi o primeiro a aparecer. "Não
faltou atitude. Estou orgulhoso do nosso esforço. Mas estamos muito
tristes com a derrota", falou Ronaldo, em breve entrevista. Já Dida
bateu na surrada tecla do adversário retrancado, "com nove atrás", como
se a França não tivesse dominado as ações e feito as jogadas mais
objetivas.
BRA 0 X 1 FRA
22 Faltas cometidas 17
1 Finalizações certas 4
8 Finalizações erradas 7
11 Dribles 16
13 Roubadas de bola 7
5 Escanteios conquistados 7
No 1º tempo, o Brasil esboçou alguma rapidez maior nos toques nos
primeiros dez minutos, embora sem criar uma chance nítida de gol. Porém,
o fôlego e a organização do time alterado parece ter acabado aí. A
França, que começou mais recuada e com uma marcação compacta passou a se
aproveitar da falta de mobilidade do meio-campo (onde Kaká estava
irreconhecível, com uma atuação apática) e do ataque brasileiro. Para
melhorar a situação francesa, Zidane estava inspirado, organizando o
meio-campo, abrindo espaço com dribles curtos e fazendo lançamentos
venenosos que encontravam brechas na retaguarda brasileira. Com 20
minutos de jogo, a França já tinha domínio total das ações,
sobrecarregando a defesa brasileira, em que Lúcio e Juan se desdobravam
para cuidar dos avanços franceses. Aos 26min, Lúcio teve de fazer sua
primeira falta na Copa, três minutos depois de superar a marca invicta
do zagueiro paraguaio Gamarra na Copa de 1998. Curiosamente, Gamarra
completou 383 minutos sem faltas numa derrota para a França. Faltou mais
preparação na parte física e mais entrosamento
Carlos Alberto Parreira, técnico do BrasilAos 44min, Zidane deu dois
lindos dribles curtos no meio do campo num início de contra-ataque e
lançou Vieira, que corria livre no meio. Juan fez uma falta por trás
criminosa para matar a jogada e o cartão amarelo que levou ficou barato.
A afobação brasileira se refletiu na seqüência, na cobrança da falta:
Ronaldo, na barreira, desviou a bola com a mão. Apesar de o toque ter
sido dentro da área, o juiz espanhol Luis Cantalejo aliviou outra vez,
marcando falta na meia-lua. A péssima apresentação brasileira no 1º
tempo não parece ter assustado Parreira, que manteve a escalação para o
2º tempo. O que estava ruim só piorou. Nós precisávamos de um grande
jogo e merecemos tudo isso. Lutamos muito Zidane, craque da FrançaLogo
aos 40 segundos, Vieira já cabeceava sozinho dentro da área brasileira.
Aos 8min, a França fez um gol corretamente anulado por impedimento
múltiplo de seus atacantes.
Mas, aos 12min, Zidane deu seu golpe ceriteiro. Cobrou falta da
esquerda, buscando Henry livre no lado direito de uma área em que três
brasileiros marcavam cinco franceses. Sozinho, Henry chutou de direita e
fez o gol francês. A França manteve-se mais perigosa, com Ribéry
perdendo chances aos 15min (quando Juan desviou e quase fez gol contra,
mas a bola passou a centímetros da trave) e 24min (escapou sozinho sem
ninguém acompanhando e só foi desarmado por Dida). Desarrumado, grogue,
sem reação, o Brasil não conseguia armar uma jogada mais perigosa.
Parreira apelou para a formação antiga, tirando Juninho e colocando
Adriano aos 18min. Nenhuma diferença. O time continuou um caos. A
segunda substituição (Cicinho no lugar de Cafu) veio aos 31min do 2º
--ou seja, muito tarde. Lento, errando passes e mal colocado, Cafu
finalmente acusou o peso da idade nesta Copa e foi bem explorado pelos
franceses. Aos 33min, a última cartada: Parreira colocou Robinho no
lugar de Kaká. Mas, àquela altura, o descontrole da equipe já era grande
demais para que Robinho mudasse a cara do jogo. As chances que
aconteceram fora mais de "abafa" que jogadas pensadas. |