COPA 2006 ALEMANHA


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01 de julho de 2006 - São Paulo - SP

Comentários gerais:

Zidane faz o Brasil chorar pela 2ª vez Zidane é um dos principais carrascos da história do futebol brasileiro. O meia, que "ganhou" a final da Copa de 1998, mais uma vez brilhou e foi o grande responsável pela vitória por 1 a 0 da França, placar que eliminou a seleção brasileira nas quartas-de-final. O jogador foi o autor do cruzamento que resultou no gol de Henry e na queda do Brasil, que viu ruir seu favoritismo incontestável de forma melancólica. Zidane estava em dia de Zidane. E um dos últimos moicanos do futebol criativo e imprevisível bateu o Brasil "de resultados" de Parreira, cujo lema era "show é ganhar". O camisa 10 francês desequilibrou, levou a França à vitória de 1 a 0 neste sábado, em Frankfurt, e consolidou seu papel de um dos maiores carrascos do futebol brasileiro, ao lado do uruguaio Ghiggia, autor do gol que derrotou o Brasil no Maracanã na Copa de 1950.

O grande craque francês foi eleito o melhor em campo pela Fifa. Além de eliminar o Brasil do "quadrado mágico" nas quartas-de-final da atual Copa, Zidane já havia aniquilado a seleção verde-amarela na final da Copa de 1998, com dois gols de cabeça. A França também amplia uma superioridade que outras grandes seleções não têm em relação ao Brasil: agora são três triunfos em jogos decisivos (quartas em 1986, final em 1998, quartas em 2006) contra um único do Brasil (semifinal em 1958). O gol saiu aos 12min do 2º tempo, com Zidane cobrando uma falta da esquerda e Henry aparecendo livre para desviar para o gol. O lance insólito no momento do cruzamento: Roberto Carlos, que deveria estar acompanhando Henry, ficou parado na entrada da área arrumando uma de suas meias. Quando foi saber o que estava acontecendo, os franceses já comemoravam. Nas semifinais, a França enfrenta Portugal na quarta-feira, às 16h (horário de Brasília), em Munique. Quem vencer, decidirá o título no domingo, dia 9, em Berlim, contra o vencedor de Alemanha x Itália (que acontecerá na terça-feira).

"Nós precisávamos de um grande jogo e merecemos tudo isso. Nós sabíamos que tínhamos de ser fortes fisicamente e assim fomos", comentou Zidane após a vitória sobre os pentacampeões. "Lutamos muito e merecemos a vitória. Agora, tentaremos um lugar na final. Não queremos parar. Isso tudo é muito bonito e queremos ir além". O Brasil deu seu primeiro chute a gol digno do nome aos 39min do 2º tempo, numa tentativa de Ronaldo, que mais uma vez acabou derrotado pela França do amigo Zidane. Até então, todos os esboços de ataque brasileiros foram de uma desorganização que não ofereceu perigo maior para o goleiro Barthez. No desespero, ainda tentou o empate até o apito final. A melhor chance foi num chute de Ronaldo que Barthez rebateu aos 45min. A tentativa do hexa fica para 2010, na África do Sul, com uma nova geração em algumas posições fundamentais. A seleção brasileira volta para casa. Ou seja, cada jogador vi para sua casa no país em que joga. Para o Brasil, só voltam mesmo os são-paulinos Rogério Ceni e Mineiro, e o corintiano Ricardinho, todos reservas.

O técnico Carlos Alberto Parreira compareceu à entrevista coletiva e admitiu falhas que acarretaram na eliminação. "Faltou mais preparação na parte física e mais entrosamento", disse Parreira, que não quis antecipar se continuará no comando da seleção ou se deixará o cargo. "Não estou pensando nisso. Só vou resolver quando voltar ao Brasil". Os jogadores só começaram a falar uma hora após a partida, sendo bem lacônicos em suas delarações. Ronaldo foi o primeiro a aparecer. "Não faltou atitude. Estou orgulhoso do nosso esforço. Mas estamos muito tristes com a derrota", falou Ronaldo, em breve entrevista. Já Dida bateu na surrada tecla do adversário retrancado, "com nove atrás", como se a França não tivesse dominado as ações e feito as jogadas mais objetivas.

 BRA 0 X 1 FRA
22 Faltas cometidas 17
1 Finalizações certas 4
8 Finalizações erradas 7
11 Dribles 16
13 Roubadas de bola 7
5 Escanteios conquistados 7

No 1º tempo, o Brasil esboçou alguma rapidez maior nos toques nos primeiros dez minutos, embora sem criar uma chance nítida de gol. Porém, o fôlego e a organização do time alterado parece ter acabado aí. A França, que começou mais recuada e com uma marcação compacta passou a se aproveitar da falta de mobilidade do meio-campo (onde Kaká estava irreconhecível, com uma atuação apática) e do ataque brasileiro. Para melhorar a situação francesa, Zidane estava inspirado, organizando o meio-campo, abrindo espaço com dribles curtos e fazendo lançamentos venenosos que encontravam brechas na retaguarda brasileira. Com 20 minutos de jogo, a França já tinha domínio total das ações, sobrecarregando a defesa brasileira, em que Lúcio e Juan se desdobravam para cuidar dos avanços franceses. Aos 26min, Lúcio teve de fazer sua primeira falta na Copa, três minutos depois de superar a marca invicta do zagueiro paraguaio Gamarra na Copa de 1998. Curiosamente, Gamarra completou 383 minutos sem faltas numa derrota para a França. Faltou mais preparação na parte física e mais entrosamento

Carlos Alberto Parreira, técnico do BrasilAos 44min, Zidane deu dois lindos dribles curtos no meio do campo num início de contra-ataque e lançou Vieira, que corria livre no meio. Juan fez uma falta por trás criminosa para matar a jogada e o cartão amarelo que levou ficou barato. A afobação brasileira se refletiu na seqüência, na cobrança da falta: Ronaldo, na barreira, desviou a bola com a mão. Apesar de o toque ter sido dentro da área, o juiz espanhol Luis Cantalejo aliviou outra vez, marcando falta na meia-lua. A péssima apresentação brasileira no 1º tempo não parece ter assustado Parreira, que manteve a escalação para o 2º tempo. O que estava ruim só piorou. Nós precisávamos de um grande jogo e merecemos tudo isso. Lutamos muito Zidane, craque da FrançaLogo aos 40 segundos, Vieira já cabeceava sozinho dentro da área brasileira. Aos 8min, a França fez um gol corretamente anulado por impedimento múltiplo de seus atacantes.

Mas, aos 12min, Zidane deu seu golpe ceriteiro. Cobrou falta da esquerda, buscando Henry livre no lado direito de uma área em que três brasileiros marcavam cinco franceses. Sozinho, Henry chutou de direita e fez o gol francês. A França manteve-se mais perigosa, com Ribéry perdendo chances aos 15min (quando Juan desviou e quase fez gol contra, mas a bola passou a centímetros da trave) e 24min (escapou sozinho sem ninguém acompanhando e só foi desarmado por Dida). Desarrumado, grogue, sem reação, o Brasil não conseguia armar uma jogada mais perigosa. Parreira apelou para a formação antiga, tirando Juninho e colocando Adriano aos 18min. Nenhuma diferença. O time continuou um caos. A segunda substituição (Cicinho no lugar de Cafu) veio aos 31min do 2º --ou seja, muito tarde. Lento, errando passes e mal colocado, Cafu finalmente acusou o peso da idade nesta Copa e foi bem explorado pelos franceses. Aos 33min, a última cartada: Parreira colocou Robinho no lugar de Kaká. Mas, àquela altura, o descontrole da equipe já era grande demais para que Robinho mudasse a cara do jogo. As chances que aconteceram fora mais de "abafa" que jogadas pensadas.

 

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O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo neste sábado após a derrota por 1 x 0 diante da França pelas quartas-de-final do torneio. Veja a opinião de treinadores, jogadores e ex-jogadores sobre a eliminação brasileira.

GÉRSON, CAMPEÃO MUNDIAL EM 1970

"A seleção parecia um circo. Era uma máscara só! Um buscava um recorde, o outro queria levantar a taça mais vezes. Na realidade o Brasil não jogou nada. Para ser campeão do mundo não basta ter talento, tem que ter vontade. Tem que ter aquilo roxo!"

OSVALDO ALVAREZ (VADÃO), TÉCNICO

"Foi simples: o Brasil jogou muito mal. A França praticou um futebol moderno, com muita marcação, e o Brasil ficou parado em campo. Agora as pessoas vão querer colocar a culpa no Parreira. Espera aí, o estilo do Parreira foi sempre esse! Ele é um treinador contido, calmo. Ele não teve culpa de nada pela derrota do Brasil nessa partida. O Ronaldinho Gaúcho, por ser o melhor jogador do mundo, jogou muito mal. Ele até foi participativo, correu, pediu a bola, mas não criou nada, não chutou a gol. Jogou muito mal. O ataque brasileiro criou muito pouco. O Kaká não fez nenhuma jogada de fundo. Não abriram o jogo. O Zidane, que é um dos jogadores mais velhos e está se aposentando, fez uma partida perfeita. Não errou um passe. Kaká, Ronaldo e Ronaldinho, que são muito mais jovens, não foram bem."

NELSINHO BAPTISTA, TÉCNICO

"O Brasil jogou muito mal, os jogadores não demonstraram atitude. Não se pode falar de esquema tático, comissão técnica, treinador, nada. Os jogadores se omitiram. Dava para ver pela morosidade dos jogadores durante os treinos. Acho que eles estavam achando que poderiam resolver tudo a hora que bem entendessem. De forma alguma o Parreira pode ser considerado culpado pelo que aconteceu. Você não pode culpar o treinador. Individualmente, os jogadores não fizeram um bom futebol. Do Dida até o último homem, todos têm muita qualidade, mas não foram bem nessa Copa. O Ronaldinho Gaúcho, que é considerado o melhor do mundo, não deu um chute a gol em cinco partidas na Copa! Ele foi omisso. Os laterais também deveriam ser outros. Eles nem deveriam ter sido escalados para essa partida contra a França."

VAGNER MANCINI, TÉCNICO

"A França mereceu ganhar, até porque o Brasil não jogou nada. Foi muito justo o resultado. O fundamental hoje seria uma mudança de atitude. Talvez uma mudança de peças no intervalo também ajudasse. As mudanças ocorreram tardiamente. O Zidane jogou os 90 minutos como quis... e quando você deixa isso acontecer, você está pedindo para perder o jogo. Nessa hora vão falar qualquer coisa (sobre a suposta falta de vibração do Parreira). A atitude da seleção de um modo geral, os jogadores que entraram em campo e os que sentaram no banco, inclusive a comissão técnica, foi muito passiva. A vitória sobre o Brasil deixa a França muito mais confiante, muito mais forte. Há muito equilíbrio (entre as equipes que estão nas semifinais). A que chega melhor é justamente a França".

ZETTI, TREINADOR E GOLEIRO CAMPEÃO MUNDIAL EM 1994

"A França jogou com muito mais garra e vibração do que nós. Geralmente todos se perguntam por que o Brasil perdeu. Será que não foi a França que derrotou o Brasil? Marcou forte, fechou o meio-campo e neutralizou as principais jogadas do Brasil, que eram com Ronaldinho e Kaká. Nós ficamos estáticos e, de repente, numa bola parada acabou saindo o gol. A França abafou o brilho do Brasil com um esquema tático perfeito. A diferença foi o espírito de luta dos jogadores franceses. Eu acho que, quando perde, perde o grupo e, quando ganha, ganha o grupo também, não adianta buscar responsáveis. Faltou, talvez, uma liderança dentro de campo, como foi o Zidane para a França. O duro é saber que se é melhor, mas só é o melhor quem consegue a taça. Vejo a Alemanha com grande possibilidade e vou torcer para Portugal. Luiz Felipe Scolari mudou a história de uma seleção européia, mostrou que eles podem ser parecidos com o Brasil."

ÂNDERSON POLGA, CAMPEÃO DO MUNDO EM 2002

"A seleção não fez uma boa partida, a França tomou conta do jogo, soube marcar e jogar e mereceu o resultado. O Brasil poderia apresentar algo muito melhor nessa Copa o que não aconteceu. O Zidane fez uma excelente partida e a seleção foi muito infeliz nesta Copa. Não acertamos nenhum fundamento do futebol. Colocamos uma expectativa no quadrado mágico e as coisas no futebol não são tão fáceis assim como se pensa."

ATHIRSON, JOGADOR DO BAYER LEVERKUSEN

"Todos que vivem do futebol estão tristes com a eliminação, ainda mais do jeito que saiu dessa Copa. Se agredisse o adversário e tivesse brigado com a França, seria uma eliminação melhor. O Brasil não conseguiu agredir, chutar. A França marcou muito bem e o Zidane foi fundamental. O Parreira não deveria ter mexido no time. Vinha jogando com um time e mudou numa partida decisiva. Os dois laterais tinham que estar lá pelo que representam e pelo talento."

JAIRZINHO, CAMPEÃO MUNDIAL EM 1970

"Perder é natural, agora, do jeito que perdeu não é natural. Foi um time apático e desinteressado."

JAIR PEREIRA, TÉCNICO

"O time não jogou bem desde o início, havia uma desconfiança e uma cobrança muito grande por uma atuação melhor. Quando o time pegou uma seleção forte, deu no que deu."
 

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