COPA 2006 ALEMANHA |
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13 de junho de 2006
- São Paulo - SP |
Comentários
gerais:
Quadrado "emperra", e Brasil sofre para obter
vitória magra e recorde Ronaldinho Gaúcho e Kaká foram bem, mas o fraco
desempenho de Adriano e Ronaldo -este, principalmente- comprometeu o
funcionamento do "quadrado mágico". Juntos, os atacantes deram só 2 chutes a
gol. Assim, o Brasil precisou atacar pelas laterais e dependeu de um lance
individual de Kaká para vencer a Croácia e estabelecer o recorde de oito
vitórias seguidas em Copas. No segundo tempo, a defesa acabou sobrecarregada, e
Lúcio, Dida e Emerson foram os grandes nomes.
PLACAR COMPLETOO "quadrado mágico" não funcionou como se esperava, mas o Brasil estabeleceu o recorde de vitórias consecutivas em Copas do Mundo (oito, superando as sete da Itália em 1934-38) com a ajuda de uma tática "antiga". Embora tenha deixado o sistema defensivo um pouco desprotegido, o avanço dos laterais foi fundamental para a vitória de 1 a 0 contra a Croácia, nesta terça-feira, em Berlim, na estréia da seleção no Grupo F. Além das descidas de Roberto Carlos e, principalmente, de Cafu (que deu início à jogada do gol de Kaká aos 43min do 1º tempo), outro responsável pelo resultado foi o goleiro Dida, com defesas difíceis em chutes potentes durante a pressão dos croatas no 2º tempo.
As descidas de Cafu e Roberto Carlos, que teoricamente não
seriam mais tão necessárias com tantos talentos à frente, se tornaram a opção
para furar o bloqueio croata. Mas Parreira já parecia prever que iria precisar
deles ao liberá-los para descer simultaneamente no amistoso contra a Nova
Zelândia, no último dia 4. "Tivemos dificuldades em imprimir o nosso ritmo",
declarou o técnico Carlos
Alberto Parreira, ainda no intervalo, à TV Globo. A Croácia se trancou atrás com
uma marcação forte que dificultava a troca de passes do "quadrado". Para piorar,
Adriano e Ronaldo não conseguiam sair
da condição de inoperantes.
Os números do jogo, segundo levantamento do Datafolha, indicam uma atuação muito aquém do ideal dos dois atacantes. Adriano perdeu 13 das 29 bolas que recebeu - quase metade e de um só chute a gol (errado e displicente para fora, bem diante do goleiro Pletikosa). Já Ronaldo foi o jogador que menos bolas recebeu na partida: 14. Também só deu um chute a gol: recebeu de Kaká no meio, antes da meia-lua, e chutou para fora. Com a inoperância da dupla de ataque, a opção favorita da seleção foi arriscar chutes de longe. Kaká foi quem mais tentou, fazendo o gol e, no 2º tempo, levando perigo em um chute cruzado. Ronaldo saiu vaiado pela torcida aos 24min do 2º tempo. Kaká, após a partida e do alto de seu "título" de melhor do jogo eleito pela equipe Técnica da Fifa, manifestou solidariedade, mas deixou nas entrelinhas que será melhor para o time uma colaboração maior do camisa 9. "O Ronaldo ainda não está 100%. Esperamos que ele se torne o Ronaldo que todo mundo quer ver. Um pouco mais de movimentação da parte dele seria o ideal. Ele tem todo o apoio do grupo", disse Kaká. O substituto de Ronaldo foi Robinho, que buscou agilizar o ataque. Em sua primeira jogada, colocou Adriano na cara do goleiro. Mas o atacante, meio displicente, perdeu a chance.
Os laterais Cafu e Roberto desceram e arriscaram contra o gol
de Pletikosa no 1º tempo - um de Roberto Carlos de longe que Pletikosa espalmou
para fora, outro cruzado de Cafu de dentro da área. De uma descida de Cafu num
corredor deixado pela Croácia saiu o passe para Kaká fazer o primeiro gol aos
43min do 1º tempo, fintando dois marcadores antes de chutar forte. Para ajudar
Kaká, seu marcador principal, Niko Kovac, saíra de campo contundido pouco antes.
Aos 16min do 2º, Cafu criou outra grande oportunidade: desceu livre novamente e
fez um cruzamento preciso para Ronaldinho cabecear forte e obrigar Pletikosa a
uma defesa de reflexo.
BRA 1 X 0 CRO
20 Faltas cometidas 19
5 Finalizações certas 3
10 Finalizações erradas 8
22 Dribles 11
12 Desarmes completos 13
5 Escanteios conquistados 7
Fonte: DatafolhaRonaldinho tentou abrir espaços, mas era quase sempre marcado em
cima por dois adversários (quando não quatro, como numa jogada depois de um
escanteio em que ele tentou lançar Kaká com um toque de calcanhar). Kaká teve
mais sucesso em achar brechas com fintas curtas como a do gol que marcou no 1º
tempo. O problema foi na retaguarda. Desde o início, a Croácia concentrou seus
ataques pela esquerda, forçando sobre o setor de Cafu. A defesa brasileira
oferecia muito espaço, mas a Croácia não teve uma chance de perigo real.
BRASIL EM 2º NO GRUPO
Com a vitória pelo placar mínimo, o Brasil largou em 2º lugar no Grupo F, com 3
pontos mas um saldo de gols inferior ao da Austrália, que venceu o Japão por 3 a
1 na segunda-feira. Se essas já fossem posições finais, o Brasil pegaria a
República Tcheca (1ª do Grupo F) nas oitavas-de-final, enquanto à Austrália
caberia enfrentar a Itália (2ª do E). No 2º tempo, os croatas partiram para o
sufoco contra uma defesa brasileira afobada e sobrecarregada. Na primeira
tentativa, Lúcio, que teve boa atuação, foi facilmente superado por Prso, que
chutou cruzado para grande defesa de Dida. Dida faria, pelo menos, mais três
intervenções decisivas. A cada entrada croata na área brasileira, a defesa da
seleção parecia reagir mais na base do susto que seguindo um plano montado.
Mesmo com um "quadrado mágico" alternativo (com Robinho), o Brasil não melhorou
de rendimento na etapa final. Pela pressão que impôs ao Brasil na etapa final, o
técnico croata Zlatko Kranjcar considerou o resultado injusto: "Não merecíamos
perder, já que fomos a melhor equipe em campo durante a maior parte do tempo.
Foi uma lástima perdermos tantas chances de gol".
O próximo teste do Brasil (com ou sem quadrados, mágicos ou nem tanto) será no
domingo, dia 18, em Munique contra a Austrália, atual líder do Grupo F (leia box
ao lado). A Croácia terá o Japão pela frente também no domingo,em Nuremberg.
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